Espinha Bífida Oculta e Cística: causas, sintomas, tratamento

Dependendo do tipo de espinha bífida, o recém-nascido pode ter problemas na infância e também na sua vida adulta


como tratar espinha bifida
(Foto: Health WorldNet)

Entre as malformações que podem afetar o bebê está a espinha bífida. Durante o desenvolvimento do feto no útero materno, há uma variedade de anormalidades que podem acontecer.

Isso é mais recorrente no primeiro mês de gestação, já que é nesse período em que há a formação do cérebro, sistema nervoso e espinha.

Apesar de não ser muito conhecido, esse problema ocorre quando a espinha não se fecha como deveria no momento da formação, o que pode levar a criança a apresentar uma série de complicações.

   

Para entender do que se trata esse quadro, como identificá-lo e quais são os tratamentos possíveis, continue com a leitura deste artigo e se informe sobre tudo o que precisa saber a respeito.

O que é espinha bífida?

A espinha bífida (ou espinha bifurcada) consiste em uma malformação congênita que afeta o feto logo nas primeiras semanas da gestação.

Esse problema é caracterizado por uma falha que ocorre no desenvolvimento da coluna vertebral, além de a medula espinhal e suas estruturas não se formarem de maneira completa. Desse modo, não há a cobertura correta da medula, deixando em espaço que permanece aberto no local.

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Essa lesão ocorre, na maioria das vezes, na região inferior da coluna. Isso acontece porque essa é a última parte da coluna que se fecha quando está se formando, resultando então em uma saliência que fica visível nas costas do bebê ao nascer.

Entre as complicações encontram-se a paralisia das pernas e incontinência urinária e fecal.

Há 2 tipos de anomalias que estão relacionadas à espinha bífida, sendo elas a espinha bífida oculta e a espinha bífida cística (que é dividida em meningocele e a mielomeningocele).

Apesar de ser um caso em que não há cura, ela pode ser tratada por meio de uma cirurgia, que tem como objetivo fechar o defeito presente na coluna vertebral.

Felizmente, esse problema de malformação não é considerado comum no Brasil e no restante do mundo, já que a incidência de casos de espinha bífida fica na casa de um caso a cada 100 mil bebês.

Conheça a seguir mais detalhes e as diferenças existentes entre a espinha oculta e a cística.

Espinha bífida oculta

A espinha bífida oculta é o tipo mais comum e tem como característica o fechamento não completo da coluna vertebral. Nesse tipo de malformação não está envolvida a medula espinhal e nem as suas estruturas protetoras.

o que é espinha bifida
(Foto: Tua saude)

Muitas vezes esse tipo de malformação acaba passando despercebido, sem que resulte em nenhum tipo de problema que venha a afetar o sistema neurológico.

Entre os sinais que costumam indicar esse tipo de espinha bífida é a presença de cabelo anormal, pequeno furo ou mancha no local.

Espinha bífida cística

Em relação à espinha bífida cística, ela está caracterizada pelo fechamento incompleto da coluna vertebral.

Espinha bífida cística
(Foto: Anomalias congênitas)

Ao contrário da espinha bífida oculta, ocorre o envolvimento da medula espinhal e de suas estruturas. Ela é dividida em dois subtipos, sendo eles:

Meningocele: consiste na forma mais leve, quando há apenas o envolvimento das estruturas que são responsáveis por proteger a medula espinhal.

Já a medula espinhal fica dentro da vertebral, como ocorre normalmente, não sendo por isso afetada. A saliência fica recoberta pela pele e, como os impulsos nervosos são conduzidos de maneira normal, não há a manifestação de problemas neurológicos no bebê.

Mielomeningocele: se trata da forma mais grave, e ocorre quando há o envolvimento não só das estruturas que visam proteger a medula espinhal, mas também de parte da medula.

Não há o revestimento de pele na saliência, que é grande e fica totalmente exposta nas costas do bebê. Como não há a transmissão dos impulsos nervosos, o bebê apresenta problemas neurológicos.

Diagnóstico

Em geral, o diagnóstico da espinha bífida é feito durante o período pré-natal, sendo possível identificá-lo no segundo trimestre da gravidez por meio da ultrassonografia e do exame de amniocentese, onde é feito o doseamento no soro materno da alfa fetoproteína no líquido amniótico.

espinha bifida cistica
(Foto: semantic scholar)

Porém, há casos mais ligeiros em que a malformação só pode ser verificada após o bebê nascer. Além disso, também é possível que casos mais suaves não sejam diagnosticados nunca, como é o caso da espinha bífida oculta.

Após o nascimento do bebê, é possível identificar os casos fazendo uma análise médica, onde é observada a abertura localizada da coluna para o exterior, além do tecido nervoso exposto, ou seja, sem estar recoberto por uma camada de pele.

Causas

Ainda não há o total conhecimento sobre as causas de espinha bífida. Apesar disso, especialistas acreditam que ela esteja relacionada a fatores genéticos ou devido à deficiência de ácido fólico da mãe durante a gestação, já que isso poderia resultar em problemas no desenvolvimento do tubo neural do bebê.

Por esse motivo, há a indicação médica durante o pré-natal de que as mães façam uso de vitaminas que contêm ácido fólico. Isso deve ser feito logo no início da gravidez, período onde as malformações podem acontecer.

Também há indícios de que essa malformação tenha como causa a diabetes materna, consumo de álcool no primeiro trimestre da gravidez ou a deficiência de zinco da mãe.

Há ainda alguns estudos que apontam que as causas tenham relação com a idade avançada dos progenitores ou até mesmo com o clima, já que há uma incidência maior em bebês que nascem com espinha bífida durante o inverno.

Fotos da espinha bífida

A seguir, veja algumas imagens que mostram onde se localiza e como é o aspecto da espinha bífida oculta e a cística.

espinha bifida
(Foto: egmn blog)
foto da espinha bifida
(Foto: Orthobullets)
Espinha bífida causa dor
(Foto: Deximed)

Sinais e sintomas

Os sintomas de um bebê que apresenta espinha bífida podem variar bastante, o que vai depender do tipo da anomalia que ele apresenta. Enquanto algumas não apresentam complicações, há outras que podem resultar desde simples limitações motoras até uma grave incapacidade mental e física.



No caso de espinha bífida cística (meningocele e mielomeningocele), há a formação de um saco que é preenchido por um líquido. Essa saliência pode estar encoberta por uma camada fina de pele, podendo ser vista (meningocele).

Também há os casos onde pode não ter a presença de nenhum revestimento de pele, ficando totalmente exposto (mielomeningocele).

No caso das malformações fechadas, geralmente não apresentam sintomas e são identificados por meio da presença de um tufo de cabelo na região, ou então por uma mancha ou pequeno furo que ficam localizados no lugar da malformação.

Quanto mais a malformação estiver em uma posição elevada na coluna, maior vai ser a lesão nervosa e, como consequência, mais o bebê será afetado pela perda da função sensitiva e motora.

Isso ocorre porque os nervos que ficam localizados abaixo de onde houve a malformação serão de algum modo afetados, seja em menor ou maior grau.

De acordo com a localização em que a deformidade se localiza é determinada a paralisia do portador. Se ela se encontra na coluna dorsal, L1 ou L2, considera-se uma paralisia alta; no caso da vértebra L3 o nível é médio e na L4, L5 e sacrais, é considerada baixa.

Muitas vezes os casos de mielomeningocele estão relacionados à hidrocefalia, que consiste em um aumento da quantidade de líquido no cérebro.

Os problemas que podem ser provocados por esse quadro de espinha bífida são:

  • Paralisia nas pernas;
  • Problemas de locomoção;
  • Deformidade ortopédica;
  • Dificuldade de fala e concentração;
  • Incontinência urinária e fecal;
  • Dificuldade de aprendizagem;
  • Sensibilidade afetada abaixo da região lesionada.

Apesar de existir a possibilidade de graves complicações provocadas pela espinha bífida, a maioria dos bebês que são afetados por ela têm um desenvolvimento normal da inteligência.

Isso vai depender da região e da dimensão da malformação, além de levar em conta os nervos que estão envolvidos e se há ou não o revestimento.

Apesar disso, alguns recém-nascidos que apresentam mielomeningocele podem vir a desenvolver meningite, o que pode levar a uma lesão cerebral ou até mesmo ser fatal.

Na vida adulta, o portador da espinha bífida pode desenvolver problemas de pele, alergia ao látex ou problemas gastrintestinais, além de ter uma tendência maior a apresentar quadros de depressão.

Tratamento

Esse problema não tem cura, mas há formas de tratamento e também meios de prevenção.

No caso de mulheres que apresentem espinha bífida ou que tiveram filhos que apresentam essa malformação e pretendem engravidar novamente, os médicos recomendam que seja feita a ingestão diária de uma quantidade de ácido fólico mais elevada que o normal, o que deve ser feito antes mesmo de engravidar.

De acordo com o tipo, pode ou não afetar a vida da criança, sendo que há muitos casos em que não é preciso que nenhum tratamento seja realizado. Se houver a necessidade de fazer um tratamento, o mais adequado será indicado pelo médico, apresentando como base o tipo que ela se manifesta.

Como já foi citado, casos de espinha bífida oculta geralmente não apresentam sintomas ou qualquer tipo de dificuldade para a criança. Por conta disso, muitas vezes ela passa despercebida, não havendo a necessidade de um tratamento. Porém, mesmo assim é importante que o quadro seja investigado.

Veja como são feitos os tratamentos para a espinha bífida:

Cirurgia

Mesmo com casos onde o tratamento não é necessário, pode ser preciso a realização de uma cirurgia de reparação, o que geralmente é feito já durante os primeiros dias de vida do bebê. Nesse caso, a cirurgia tem como finalidade fazer com que a estrutura do interior da coluna seja introduzida em seu lugar correto.

cirurgia para espinha bifida
(Foto: The Mighty)

Dessa forma, a deformidade é fechada, embora geralmente não evite casos onde ocorrem problemas neurológicos provocados pelo quadro de espinha bífida.

Em se tratando de casos de mielomeningocele, também será necessário que o bebê seja submetido a uma reparação cirúrgica, já que a lesão fica exposta em suas costas.

A operação também é feita nos primeiros dias de vida. Nesse caso, o bebê deve ser mantido sempre na posição de barriga para baixo, pois assim é possível fazer a prevenção de infecções no local por meio de gases com soro fisiológico que encobrem a região exposta.

Com esse quadro, é preciso que seja verificado se há a ocorrência da espinha bífida com hidrocefalia. Em caso positivo, a cirurgia é feita também para remover a quantidade excessiva de líquido que se encontra no cérebro do bebê, drenando-o para o abdômen.

Isso contribui para prevenir ou evitar que aconteçam complicações maiores na saúde da criança.

Fisioterapia

Entre 20 a 50% dos casos de mielomeningocele há um bloqueio progressivo da medula, que acaba permanecendo presa às vértebras e outras estruturas. Isso faz com que a medula sofra tensão conforme a criança cresce.

fisioterapia para espinha bifida
(Foto: Fisioterapia em BH)

Por essa razão, outra opção de tratamento que também é importante consiste na fisioterapia, que visa contribuir para o fortalecimento da criança para andar ou para usar cadeiras de rodas.

Além de permitir que a criança seja mais independente, a fisioterapia também ajuda no controle dos músculos da bexiga e do intestino e na prevenção do desenvolvimento de deformidades na região afetada.

Cirurgia intrauterina

Atualmente, também é possível que seja feita a intervenção com o bebê ainda no útero quando se trata de casos considerados mais graves (ou seja, quando a medula se encontra exposta e há riscos ao sistema nervoso).

Dessa forma, é possível alcançar melhores resultados em relação ao fechamento da espinha, protegendo o sistema nervoso do bebê.

A cirurgia pode ser feita por vídeo ou ainda com a remoção do bebê por um período breve, devolvendo para o ventre materno após a operação.


Após o nascimento da criança, é feito um acompanhamento multidisciplinar que, dependendo de cada caso, pode envolver neurologista, fisioterapeuta, ortopedista e urologista pediátrico.

Como foi apresentado neste post, a espinha bífida pode se manifestar como uma enfermidade grave ou de maneira mais branda nos bebês.

Os pais devem buscar a orientação profissional a respeito dos tratamentos disponíveis e maneira como devem tratar a criança que apresenta essa deformidade.

Desse modo, será possível que ela seja devidamente estimulada, evitando que ocorra um agravamento do quadro.

Referências

trocandofraldas.com.br/espinha-bifida-o-que-e-isso

tuasaude.com/espinha-bifida

bebe.abril.com.br/saude/espinha-bifida-malformacao-pode-ser-corrigida

https://www.saudecuf.pt/mais-saude/doencas-a-z/espinha-bifida-e-hidrocefalia

infoescola.com/doencas/espinha-bifida

safari.blog.br/espinha-bifida

espinhabifida.com

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