Toxoplasmose na gravidez: o que causa, diagnóstico, riscos e tratamento

O protozoário parasita Toxoplasma Gondii depende dos gatos domésticos para que seu ciclo de vida se mantenha ativo


toxoplasmose gato

A toxoplasmose na gravidez é uma infecção considerada até mesmo comum para a gestante, mas que pode trazer sérios danos para o bebê em seu ventre. Por essa razão, os cuidados precisem ser redobrados para evitar a contaminação nessa fase.

Apesar de essa infecção ser transmitida pelo gato, quem tem esse animal de estimação em casa não precisa se desfazer do bichinho. Mas, para que ele possa continuar sendo um membro da família, é fundamental que a gestante tome os devidos cuidados ao ter contato com o felino.

Descubra a seguir como ocorre a contaminação e quais são os riscos para o bebê quando a mãe adquire toxoplasmose na gravidez.

   

O que é toxoplasmose na gravidez?

A toxoplasmose é uma doença infecciosa provocada por um protozoário. Também chamada popularmente de “doença do gato”, a sua transmissão ocorre apenas por meio das fezes dos felinos (como é o caso do gato doméstico).

Muitas vezes as pessoas infectadas acabam não desenvolvendo qualquer sintoma. Porém, quando o bebê nasce da mãe que foi infectada na gestação, existe a possibilidade de a toxoplasmose trazer complicações graves para ele.

O protozoário causador da doença pode estar presente na terra contaminada com fezes de gatos, em carnes cruas ou malpassadas, frutas e hortaliças que não foram devidamente lavados e na água que se encontra contaminada.

Receba notícias do Gestação Bebê. É grátis!

messengerFacebook Messenger

Tudo sobre gravidez e filhos pelo chatbot do Gestação para o Facebook Messengergestação botao

No decorrer da vida, a maioria das pessoas desenvolve imunidade contra a toxoplasmose. Porém, se a contaminação da mulher acontece pela primeira vez quando ela está grávida, pode afetar seriamente o bebê, que pode sofrer de atraso mental ou ter graves prejuízos na visão.

O que causa a toxoplasmose na gravidez?

A toxoplasmose é provocada pelo protozoário Toxoplasma Gondii, que é encontrado principalmente nas fezes do gato. A contaminação acontece quando o gato ingere uma carne crua que que contém cistos do protozoário.

Em seguida, o parasita sai desses cistos e se multiplica no corpo do felino, formando os protozoários que saem nas fezes. As fezes acabam contaminando a terra e a água e, posteriormente, alimentos e outros animais.

toxoplasmose causas

Mesmo pelo fato de o   gato ser o hospedeiro da doença, ele não sofre com os efeitos causados pela toxoplasmose. Os riscos de o felino ser infectado são maiores no caso de gatos saem na rua, já que podem ingerir um animal ou alimento que está contaminado.

Há diversas formas de a mulher ser contaminada por esse parasita na gravidez:

  • Por meio da manipulação de carnes cruas
  • Ingestão de carnes cruas e malpassadas
  • Consumo de vegetais mal lavados ou não cozidos
  • Ingestão acidental do parasita após mexer na caixa de areia do animal

Tipos de Toxoplasmose

Existem seis tipos de toxoplasmose, que são classificados conforme a doença se manifesta. Os tipos são:

Toxoplasmose febril aguda

Esse tipo da doença consiste na sua forma mais comum. Em geral, a pessoa que foi contaminada não mostra nenhum tipo de sintoma e, por esse motivo, não há a necessidade de fazer qualquer tratamento.

Porém, há casos onde há a manifestação de algum sintoma, como febre, manchas na pele, tosse seca, dor no abdômen ou diarreia.

Toxoplasmose linfática

A toxoplasmose linfática faz com que os nódulos linfáticos apresentem um tamanho ou consistência fora do normal. Os sintomas mais comuns são febre baixa, dores musculares e sensação de mal-estar, que podem desaparecer em algumas semanas ou durar meses.

Além disso, é possível que a pessoa infectada apresente pressão baixa, leve anemia e baixa contagem leucocitária.

Toxoplasmose ocular

Essa toxoplasmose ocorre quando o bebê é contaminado durante a gestação. Como resultado, pode prejudicar seriamente os olhos, principalmente se houver danos no nervo ótico da criança.

Os sintomas podem surgir logo após o parto ou então alguns anos depois. O tratamento deve ser feito com base em medicamentos específicos para evitar a perda da visão.

Toxoplasmose neonatal

A toxoplasmose neonatal surge quando acontece a infecção do bebê da gestação. Como consequência, pode induzir ao parto prematuro ou fazer com que o bebê apresente um peso baixo a nascer.

Esse tipo da doença pode não apresentar sintomas ou provocar a morte do feto, o que depende da idade gestacional. Outras complicações envolvem problemas no coração, fígado, olhos e pulmões.

Toxoplasmose disseminada

Ocorre geralmente em pessoas cujo sistema imune esteja comprometido, como é o caso de pacientes com AIDS. Esse tipo de toxoplasmose pode apresentar sintomas como febre alta, fadiga e tremores.

Toxoplasmose generalizada

Consiste em uma forma rara e muito grave da doença. Quando contamina uma pessoa, pode levar à morte, mesmo no caso de o indivíduo ser saudável.

Sintomas da toxoplasmose na gravidez

diagnostico toxoplasmose

Em geral, a toxoplasmose não apresenta nenhum sintoma nas pessoas infectadas. Porém, quando há a contaminação durante a gestação, alguns sintomas semelhantes a uma gripe podem se manifestar, como:

  • Febre baixa
  • Dor de cabeça
  • Mal-estar
  • Calafrios
  • Coriza
  • Fadiga
  • Dor de garganta
  • Dor nos músculos e articulações

Diagnóstico

Mesmo quando a gestante não manifesta nenhum sintoma de toxoplasmose, é feito o exame no pré-natal para verificar se ela já teve contato com o protozoário causador da doença.

No caso de o exame ser realizado logo que ocorreu a contaminação, é possível que o resultado dê negativo. Isso acontece porque o organismo ainda não começou a produzir os anticorpos para combater o parasita.

O exame é repetido a cada trimestre da gravidez, já que existe o risco de contaminação nessa fase. O resultado negativo também pode indicar que a pessoa nunca foi infectada pela toxoplasmose, o que faz com que ela não seja imune à doença.

Mas, se a mulher já desenvolveu imunidade ao longo da vida, significa que não corre o risco de ser novamente contaminada e, por isso, não precisa se preocupar.

Os exames para diagnosticar a toxoplasmose são o igG e igM, que informam, respectivamente, se a mulher já tem imunidade contra a doença e se teve contato recentemente com o parasita.

Se o exame apontar que a gestante foi recentemente infectada, é possível que o obstetra solicite o exame de aminiocentese, que serve para identificar se o bebê foi ou não afetado.

Riscos da toxoplasmose na gravidez

Os riscos da toxoplasmose na gravidez apenas podem afetar o bebê se a contaminação acontece durante a gestação. Quando a gravidez se encontra no primeiro trimestre, as chances de o bebê ser infectado são pequenas. Entretanto, há um risco maior de ele sofrer lesões por causa da doença.

No terceiro trimestre da gestação, as chances de contaminação do bebê são maiores, mas ele pode ser mais facilmente protegido com o tratamento à base de antibióticos receitados pelo médico.

Os principais riscos da toxoplasmose na gravidez são:

  • Aborto espontâneo
  • Parto prematuro
  • Feto com má formação
  • Peso abaixo da média ao nascer
  • Morte do bebê ao nascer

Consequências da doença

Quando a gestante é infectada, a toxoplasmose pode acabar sendo transmita para o bebê através do sangue. Isso pode resultar em um aborto ou no nascimento de um bebê natimorto.

A quantidade de bebês que nascem apresentando algum sintoma da doença é de 1 em cada 10. Alguns podem ir a óbito após alguns dias, enquanto outros podem sofrer com alguma sequela.



Entretanto, quando diagnosticado de forma precoce durante as consultas do pré-natal, é possível realizar o tratamento imediatamente ou, dependendo do estágio da gestação, assim que o bebê nascer. Dessa forma, é possível que ele não seja infectado e, caso seja, os sintomas podem ser evitados com o uso de medicamentos.

Como evitar a toxoplasmose

higiene

Se os resultados dos exames não mostraram imunidade à toxoplasmose na gestação, é preciso que os cuidados sejam redobrados, sendo eles:

  • Lavar bem as mães antes de manusear os alimentos
  • Cozinhar bem a carne e higienizar as mães após seu preparo
  • Evitar consumir carne malpassada e saladas nos restaurantes
  • Usar luvas ao cultivar jardins para evitar entrar em contato com terra contaminada
  • Manter os alimentos crus separados dos cozidos ao guardar para evitar que haja contaminação
  • Lavar bem as frutas, verduras e legumes que serão ingeridos crus
  • Colocar luvas ao limpar a caixa de areia do gato, evitando o contato com as fezes
  • Lavar bem as mãos e luvas após tocar a caixa de areia
  • Levar os animais domésticos para uma consulta no veterinário para realizar um exame de toxoplasmose

Tratamento

O tratamento mais comum para a toxoplasmose é feito com a utilização de antibióticos, que ajudam a evitar que a doença seja transmitida para o bebê. Em cada fase da gestação há um tipo de antibiótico específico e o tempo de duração do tratamento vai depender do estágio em que a gestação se encontra.

O obstetra poderá realizar um exame para verificar se o bebê foi infectado. O exame é feito retirando uma amostra de sangue do cordão umbilical e só pode ser realizado a partir da 18ª semana de gestação.

Se a toxoplasmose for diagnosticada no bebê, o tratamento deve ser feito logo após o seu nascimento, sendo realizado também com o uso de antibióticos.

Medicamentos para Toxoplasmose

Os medicamentos que podem ser indicados pelo médico para o tratamento da toxoplasmose são:

  • Pirimetamina
  • Sulfadiazina
  • Clindamicina
  • Espiramicina
  • Ácido folínico

É importante ressaltar que apenas o médico pode indicar o medicamento que deve ser usado para cada caso, além do tempo que o tratamento deve durar e a dose a ser ingerida.

O tratamento precisa ser seguido conforme a orientação do profissional e não deve ser interrompido sem que antes o médico seja consultado. Além disso, em hipótese alguma a gestante pode se automedicar.

Toxoplasmose igG reagente na gravidez

Durante a gestação, o obstetra pede dois exames para análise, o IgG e o IgM. Esses exames tem a finalidade de detectar anticorpos para uma série de doenças, como o caso da toxoplasmose.

O IgG é o anticorpo que aparece para proteger contra futuras infecções da toxoplasmose, ou seja, ele serve para imunizar. Por esse motivo, o resultado é positivo logo nas primeiras semanas de infecção, o que continua por toda a vida.

Já o IgM é o anticorpo que surge quando a infecção é aguda. O resultado positivo indica que a infecção ocorreu a algumas semanas ou meses. Dessa forma, temos a seguinte situação:

  • IgM negativo e IgG negativo: a pessoa nunca esteve em contato com a doença
  • IgM positivo e IgG negativo: a pessoa está infectada com a toxoplasmose
  • IgM positivo e IgG positivo: a infecção é recente (ocorreu a algumas semanas ou meses)
  • IgM negativo e IgG positivo: a infecção é antiga (a infecção aconteceu a meses ou anos)

Se a infecção for antiga, significa que a gestante tem os anticorpos e está imune contra a toxoplasmose, ou seja, o bebê não corre nenhum risco. No caso de a infecção ser mais recente, é necessário realizar o tratamento indicado pelo médico.

Toxoplasmose na gravidez afeta o bebê?

A toxoplasmose pode não apresentar nenhum sintoma quando atinge adultos. Porém, as consequências da contaminação no bebê ainda no útero podem ser graves. Esses danos variam dependendo do estágio em que a gravidez se encontrava quando houve a infecção.

Quanto mais cedo ocorre a infecção, os danos são piores. Após o nascimento do bebê, os riscos mais comuns são:

  • Anemia
  • Convulsões
  • Surdez
  • Retardo mental
  • Pneumonia
  • Icterícia neonatal
  • Aumento do fígado
  • Inflamação do coração
  • Microcefalia
  • Estrabismo (olhos na direção incorreta)
  • Inflamação dos olhos (que pode se agravar e provocar cegueira)

Os sintomas nem sempre aparecem no início da vida da criança, mas podem se desenvolver na infância e na vida adulta, principalmente a cegueira. Por esse motivo, é imprescindível que seja feito o acompanhamento da doença.

Tem cura?

Quando o tratamento é realizado de forma correta, a toxoplasmose tem cura. Porém, mesmo que a pessoa seja tratada, é fundamental que insira na rotina formas de prevenir o contato com o parasita causador da doença.

O que recomenda o Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde recomenda que a gestante infectada com toxoplasmose faça o uso de Espiramicina a cada 8 horas, ou Clindamicina a cada 6 horas.

Se estiver no 1º trimestre da gestação, o uso de Pirimetamina é contraindicado, pois pode causar má formação no feto. Já o uso de Sulfadiazina não é indicado no 3º semestre, sob o risco de uma complicação da icterícia (kernicterus), resultando em lesões cerebrais.

Com o tratamento da toxoplasmose na gravidez iniciado o quanto antes, é possível evitar sequelas no bebê. Por isso, é de suma importância realizar os devidos exames para receber o diagnóstico precoce.

Referências

https://www.minhavida.com.br/saude/temas/toxoplasmose

http://www.vidaativa.pt/a/toxoplasmose-na-gravidez/

https://www.tuasaude.com/toxoplasmose-na-gravidez/

https://brasil.babycenter.com/a1500685/toxoplasmose-na-gravidez

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/doencas_infecciosas_parasitaria_guia_bolso.pdf

https://www.tuasaude.com/tudo-o-que-voce-pode-fazer-para-nao-pegar-toxoplasmose-na-gravidez/

trocandofraldas.com.br/toxoplasmose-na-gravidez-como-evitar-e-diagnosticar/

Toxoplasmose na gravidez: o que causa, diagnóstico, riscos e tratamento
Avalie esta matéria!

- Publicidade -

- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

*