Vaginose bacteriana: tratamento caseiro, causas, sintomas e diagnóstico

A Vaginose bacteriana é um problema que atinge mulheres em todo o mundo, mas que pode ser evitado com alguns cuidados básicos de higiene


o que é vaginose
Foto: KoZnaZna

Ao notar a presença de um corrimento anormal de cor esbranquiçada, acompanhado de um odor desagradável, é preciso estar atenta, pois pode se tratar de uma vaginose bacteriana.

Provocada por uma alteração na flora vaginal, essa infecção pode causar sintomas desagradáveis para a mulher, além de existirem casos onde pode resultar em complicações.

Apesar de se tratar de uma doença comum, é possível evitá-la com algumas precauções. Saiba mais sobre essa doença a seguir, descubra o que fazer para se prevenir, como é feito o tratamento e como diferenciar a vaginose bacteriana com a candidíase.

O que é vaginose bacteriana?

Vaginose bacterina é uma infecção genital provocada por bactérias, especialmente a Gardnerella vaginalis e a Gardnerella mobiluncos, que se proliferam no canal vaginal. Como resultado do aumento da concentração de bactérias nessa região, normalmente resulta em um corrimento genital.

A presença de bactérias na vagina é algo natural, sendo algumas delas consideradas “boas”, como é o caso dos lactobacilos, que ajudam a manter o equilíbrio da flora intestina. Dessa forma, acaba impedindo o desenvolvimento desordenado de bactérias que podem provocar doenças.

Entretanto, quando há uma alteração desse equilíbrio, as bactérias nocivas se proliferam mais do que o normal, o que pode resultar no surgimento de doenças, como é o caso da vaginose bacteriana.

Essa doença é mais comum em mulheres que se encontram na idade reprodutiva ou que são fumantes, apresentando como sintomas, além do corrimento, coceira intensa e desconforto ao urinar.

Sintomas

Ao contrário de outras causas associadas ao corrimento vaginal, que provocam inflamação na vagina, a vaginose bacteriana geralmente não resulta em inflamação. Porém, ela pode ser detectada a partir dos seguintes sintomas:

  • Coceira vaginal intensa
  • Odor forte e desagradável
  • Pequenas bolhas
  • Queimação ou sensação de desconforto ao urinar
  • Corrimento esbranquiçado ou acinzentado e pastoso

Algumas mulheres podem não apresentar nenhum dos sintomas que foram citados, o que dificulta o diagnóstico. Em relação ao corrimento vaginal, o odor pode ser semelhante ao do peixe e pode ser mais acentuado após as relações sexuais ou quando a menstruarão está próxima.

O que causa a vaginose

Apesar de a causa não ser totalmente identificada, especialistas indicam que há fatores que contribuem para provocar uma alteração no equilíbrio das bactérias presentes na vagina, fazendo com que as chances de adquirir vaginose bacteriana sejam maiores. Essas causas são:

  • Múltiplos parceiros sexuais
  • Fazer duchas vaginais frequentemente
  • Fumar
  • Uso de antibióticos
  • Uso do DIU
fotos de vaginose
Foto: Knowing STD

Diagnóstico

O diagnóstico geralmente é feito por meio do exame preventivo (também chamado de Papanicolau), onde é avaliado se há algum tipo de alteração vaginal. Também pode ocorrer o diagnóstico por meio de um exame de rotina ou por solicitação do ginecologista, no caso de sintomas relatados pela paciente.

Se há o aparecimento dos sintomas muito tempo depois da consulta anual ao ginecologista, o recomendado é marcar uma nova visita e descrever os sintomas. Dessa forma, ele poderá avaliar como está a acidez da sua vagina e, no caso de confirmação de vaginose bacteriana, receitar os medicamentos adequados para iniciar o tratamento.

Exame para detectar o problema

O exame pélvico é feito para detectar a vaginose bacteriana, onde o ginecologista poderá retirar uma amostra da secreção vaginal para que seja feita a análise em um laboratório. A coleta da amostra é efetuada com a introdução de um espéculo, sendo retirada com o uso de um cotonete.

Os exames podem avaliar o pH da vagina e também encontrar micro-organismos responsáveis pela vaginose ou então outros germes que provocam corrimento, como é o caso dos fungos.

Para que não ocorram alterações no resultado dos testes, o recomendado é a paciente não ter relações sexuais 24 horas antes de ir à consulta e nem fazer o uso de tampões.

Também há o exame mais simples para identificar a vaginose, que pode ser feito no próprio consultório. Ele é realizado com a adição de hidróxido de carbono na secreção coletada na vaginal. Dessa forma, é possível identificar se é liberado o cheiro característico da doença, que se assemelha ao cheiro de peixe.

Vaginose bacteriana tem cura?

Apesar de ser uma doença que provoca bastante desconforto para a mulher, a cura ocorre facilmente com o uso de antibióticos. Porém, para que a cura seja garantida, é fundamental que o tratamento seja feito de forma correta pela paciente.

Um em cada três casos de vaginose desaparece por conta própria, o que acontece por que houve o restabelecimento da população de lactobacilos. Por esse motivo, muitas vezes o tratamento é mais indicado quando há o aparecimento dos sintomas ou quando a paciente irá realizar um procedimento cirúrgico.

tratamento para vaginose
Foto: The Condom Depot Learning Center

Tratamentos para vaginose bacteriana

Quando há a confirmação da vaginose, o tratamento geralmente é feito com o uso de antibióticos, como o metronidazol, que deve ser prescrito pelo ginecologista. O medicamento pode ser administrado por via oral ou aplicado diretamente no local, por meio de pomada vaginal ou óvulos.

O tratamento com o medicamento oral deve ser feito por 7 dias e o creme vaginal por 7 noites, ou de acordo com as orientações do ginecologista. Para que o resultado seja favorável, o uso do medicamento não deve ser interrompido apenas porque houve uma melhora nos sintomas.

É importante ressaltar que o tratamento feito com o uso de antibióticos não é para a cura da vaginose, mas sim para combater os seus sintomas. Por conta disso, muitas vezes acontece de a paciente apresentar novamente esse problema.

Quando ocorrer de a mulher ter três episódios de vaginose no mesmo ano, o indicado pelo médico é um tratamento a longo prazo, que pode durar até seis meses.

Lembrando que, durante o tratamento, é preciso evitar ingerir bebida alcoólica, já que seu consumo acaba interferindo nos efeitos do medicamento oral. Além disso, é importante usar preservativo nas relações sexuais para evitar contaminação.

Complicações

Em geral, a vaginose bacteriana não resulta em complicações, mas há casos onde isso pode ocorrer, o que é mais comum quando a mulher se encontra com o sistema imune enfraquecido. Essas complicações podem ser:

  • Infecção no útero e trompas de falópio
  • Maiores chances de contrair gonorreia, herpes genital ou outras DSTs
  • Aumento das chances de ser infectada pela AIDS quando exposta ao vírus
  • Chances maiores de parto prematura em mulheres grávidas

Remédios para vaginose bacteriana

O tratamento da vaginose bacteriana, na maioria das vezes, é feito com antibióticos. Os mais usados são:

Metronidazol

Está disponível em comprimidos ou creme vaginal. No caso do comprimido, a recomendação é que seja feita a ingestão única de 2g ou de 400 mg a 500mg por duas vezes ao dia, durante uma semana. Já o creme vaginal deve ser usado à noite por cerca de 10 a 20 dias.

Clindamicina

Também encontrado em forma de comprimidos ou creme vaginal. A recomendação da dose para os comprimidos varia entre 600 mg a 1800mg, que devem ser tomados em doses iguais no decorrer do dia. O uso do creme vaginal deve ser feito entre 3 a 7 dias.

Tinidazol

Vendido em forma de comprimidos, seu uso recomendado é de 2g, tomados em uma única dose.

Remédio caseiro 

Há alguns tipos de remédios caseiros que contribuem para aliviar os sintomas dessa doença. Outra vantagem é que eles não apresentam efeitos colaterais ou contraindicações. Alguns deles são:



Iogurte natural

Por ser um alimento rico em probióticos, o iogurte é um dos remédios caseiros mais indicados para o combate à vaginose bacteriana. Isso porque ele ajuda a aumentar a quantidade de bactérias saudáveis, mantendo a flora vaginal equilibrada. É importante observar se o iogurte escolhido contém lactobacilos.

Chá de camomila

cha de camomila

A camomila contém ação anti-inflamatória, o que ajuda a diminuir a irritação e coceira na região íntima, regulando o pH vaginal e evitando que as bactérias se proliferem.

O chá é feito com 3 colheres de sopa de flores de camomila (equivalente a 30 g) e 2 xícaras de água (500 ml). Após a água ferver, adicione as flores e deixe descansando entre 15 a 20 minutos. Em seguida, o chá deve ser coado para fazer a aplicação.

Lave a região afetada 2 vezes ao dia, o que vai fazer com que a infecção seja controlada.

Alho

O alho contém propriedades antimicrobianas, o que o torna um grande aliado contra as infecções vaginais. O seu uso se assemelha a de medicamentos usados para combater esse tipo de infecção. O consumo pode ser feito de forma direta ou então com aplicação tópica.

Vinagre de cidra e maçã

Ajuda a regular o pH da vagina, o que contribui para o alívio da coceira causada pela vaginose. Por conter propriedades antissépticas, antifúngicas e anti-inflamatórias, o vinagre de maçã evita a proliferação das bactérias nocivas.

Para usufruir dos seus benefícios, coloque dos copos do vinagre em uma bacia com água morna. Em seguida, faça um banho de assento por alguns minutos.

Prevenção

Para evitar o surgimento dessa doença, alguns cuidados devem ser tomados. É fundamental manter a higiene íntima sempre em dia, porém, isso deve ser feito sem exageros.

Evite fazer duchas vaginais, pois isso acaba causando um desequilíbrio no trato vaginal. Além disso, a zona íntima deve ser lavada usando um sabonete indicado para essa região.

É importante também evitar segurar a vontade de urinar e ficar menos de duas horas sem ir ao banheiro. Após urinar, seque a vagina da frente para atrás, o que evita que as bactérias do ânus a contaminem.

Além disso, deve-se usar sempre camisinha nas relações sexuais, seja a masculina ou feminina. A mulher deve ir ao ginecologista ao menos uma vez por ano e seu parceiro também realizar consultas periódicas ao urologista, para que possa avaliar se não há sintomas da doença.

Vaginose é uma DST?

Apesar de também ser transmitida por meio da relação sexual, não se trata de uma infecção considerada como uma DST (Doença Sexualmente Transmissível). O motivo é porque a vaginose é causada pelo aumento da quantidade de bactérias que podem estar presentes naturalmente no nosso corpo, o que ocorre por uma alteração da flora vaginal da mulher.

Por isso, apesar de ser mais comum em mulheres que são sexualmente ativas, a vaginose pode também ocorrer em mulheres que não têm uma vida sexual ativa ou que nunca realizaram o ato sexual.

Vaginose na gravidez

vaginose na gravidez
Foto: Hindustan Times

A vaginose bacteriana é comum durante a gravidez, o que ocorre devido às mudanças hormonais, que provocam um desequilíbrio nas bactérias presentes na região vaginal.

Essa infecção não causa danos ao desenvolvimento do bebê, mas pode fazer com que ele nasça prematuro ou abaixo do peso. Isso faz com que seja muito importante que, ao notar algum tipo de alteração vaginal, a gestante informe ao ginecologista para que assim a situação seja avaliada o mais breve possível.

Vaginose bacteriana x Candidíase

Por serem infecções que apresentam semelhanças entre si, é comum a dúvida da mulher em relação a essas duas doenças. Apesar disso, existem diferenças que podem distinguir uma da outra.

Por exemplo, apesar de a vaginose bacteriana e a candidíase apresentarem como sintoma um corrimento diferente do normal, a aparência desses corrimentos é diferente em cada caso.

O corrimento da vaginose possui uma aparência branca acinzentada e não é muito espesso, além de ter um aroma característico, que se assemelha ao cheiro de peixe. Já no caso da candidíase, o corrimento apresenta uma aparência que se assemelha com a do requeijão, com odor parecido com o da água sanitária.

Outros sintomas provocados pela candidíase são a coceira e irritação intensa, vulva avermelhada ou rosada e, em alguns casos, com marcas esbranquiçadas. Já a vaginose bacteriana não costuma causar coceira, mas sim irritação e sensação de dor.

Em relação ao tratamento, a vaginose geralmente é tratada com o uso de antibióticos, enquanto que o tratamento da candidíase é feito com o uso de antifúngicos.

Como os sintomas se assemelham aos sintomas da candidíase, é importante que a avaliação da infecção seja feita de forma correta, identificando se é causada por bactérias ou fungos, já que o tratamento para ambos é diferente.

Antes de iniciar qualquer tratamento para a vaginose bacteriana, é importante buscar a recomendação de um médico.

Referências

https://onsalus.com.br/vaginose-bacteriana-sintomas-causas-e-tratamento-595.html

www.multi-gyn.pt/infecoes/diferencas-entre-vaginose-bacteriana-e-infecao-vaginal-fungica-candidiase/

https://www.tuasaude.com/vaginose-bacteriana/

melhorcomsaude.com.br/7-remedios-caseiros-para-combater-a-vaginose-bacteriana/

http://www.gineco.com.br/saude-feminina/doencas-femininas/vaginose-bacteriana/

https://www.mdsaude.com/2011/07/vaginose-bacteriana-gardnerella.html

https://www.sodelas.com.br/noticia/vaginose-bacteriana-conheca-os-sintomas-e-como-prevenir-a-infeccao-vaginal

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