DIU (de cobre, mirena): o que é, como colocar e possíveis efeitos colaterais

Para entender melhor sobre esse método contraceptivo e acabar de vez com alguns mitos, confira este artigo que aborda as principais dúvidas a respeito do DIU


diu para não engravidar
Foto: Greatist

Optar pelo uso do DIU é uma boa alternativa para a mulher que não quer engravidar e também não deseja tomar pílula (correndo o risco de esquecimento).

Apesar de ser considerado o método contraceptivo reversível mais eficaz, o seu uso é feito por apenas 2% das mulheres que se encontram no período fértil. O motivo para isso deve-se, em grande parte, à falta de informação a respeito. Outro fator é devido ao preço do dispositivo.

O que é DIU?

DIU é a sigla para Dispositivo Intra-Uterino, que consiste em um método contraceptivo reversível, ou seja, que pode ser removido se a mulher desejar engravidar. Como o aparelho é inserido no útero da paciente, não há o risco de gravidez por esquecimento, como pode acontecer com o uso da pílula.

   

Trata-se de um aparelho flexível de tamanho pequeno, com formato de T ou ferradura, que é colocado na cavidade uterina para impedir a fertilização. O procedimento é realizado no consultório, sendo considerado com o método contraceptivo reversível mais seguro, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Para que serve 

Ele tem como finalidade apenas a prevenção de uma gravidez indesejada. Isso significa que seu uso de forma alguma protege contra DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis).

Ele age em diversas fases do processo reprodutivo, a começar por dificultar a passagem do espermatozoide, também evita que o óvulo seja implantado na cavidade uterina, impossibilitando a gravidez.

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Tipos de DIU

Após decidir-se por usar esse aparelho como método contraceptivo, ainda é preciso escolher entre o de cobre ou hormonal. Entenda a diferença entre ambos:

DIU de cobre

Também conhecido como DIU Multiload, o DIU de cobre é feito de plástico, tem o formato de T e revestimento em cobre ou em cobre e prata. Esses metais são tóxicos para os espermatozoides, fazendo com que eles acabem morrendo ou fiquem impedidos de se locomover.

Outro fator que impede a gravidez é a liberação do cobre em pequenas quantidades no organismo, o que provoca alterações no endométrio (tecido que encobre a parede uterina interna), deixando-o mais fino. Como consequência, o óvulo não consegue se fixar na parede do útero.

Ele tem um custo mais baixo em relação ao DIU Mirena e não possui hormônios, o que é ideal para a mulher que não deseja hormônios artificiais no organismo. A ovulação não é totalmente interrompida com o seu uso e o dispositivo pode ficar no corpo por até 10 anos.

O lado negativo é a possibilidade desse dispositivo provocar uma inflamação no útero, o que pode resultar no aumento do fluxo menstrual e cólicas.

DIU Mirena

Ao contrário do DIU de cobre, o DIU Mirena (também chamado de DIU hormonal, ou SIU – Sistema Ultra Uterino) tem o formato de uma ferradura, levando-o a ter uma melhor fixação no útero.

Seu uso libera aos poucos o levonorgestrel (hormônio semelhante à progesterona), o que faz com que sua presença na circulação seja mínima. A liberação desse hormônio faz o muco do canal cervical (abertura uterina) ficar mais espesso, impedindo que o espermatozoide passe.

O DIU Mirena reduz o fluxo menstrual, o que ajuda a diminuir a ocorrência de cólicas. O preço é mais elevado em relação ao de cobre e deve ser trocado a cada 5 anos. Outro fator negativo é que pode deixar o ciclo menstrual desregulado.

Como funciona o DIU

O DIU impede que o espermatozoide alcance o óvulo liberado pelo útero. Se acontecer de o espermatozoide conseguir ultrapassar a barreira (o que raramente ocorre), a implantação do óvulo que foi fecundado é impedida pela ação do cobre. No caso do DIU hormonal, o espermatozoide acaba não sobrevivendo para alcançar o óvulo.

O útero identifica o dispositivo como sendo um corpo estranho, causando uma pequena reação inflamatória que não prejudica o organismo. Quando isso acontece, acaba interferindo no deslocamento do espermatozoide, o que afeta a fertilização e transporte do óvulo.

Como colocar o DIU corretamente

Para inserir o DIU é preciso que a paciente não esteja grávida, nem tenha nenhuma má-formação ou disfunção uterina, o que é avaliado pelo ginecologista. Ele pode ser colocado a qualquer momento do ciclo menstrual da mulher. Porém, o recomendado é que seja durante a menstruação, quando o colo do útero está mais dilatado.

O implante do dispositivo é feito no consultório médico, onde é feita a limpeza do colo do útero usando um aparelho chamado espéculo. Em seguida, o dispositivo é inserido pela vagina até alcançar o útero e os fios de remoção ficam localizados no fundo do canal vaginal.

O processo dura entre 15 e 30 minutos e a sua eficácia é imediata. Após colocado, é feito um acompanhamento médico para verificar se ele está no local devido.

A mulher pode optar por colocar o dispositivo logo após o parto, o que deve acontecer em até 10 minutos depois que a placenta sai. Se esse prazo passar, é necessário aguardar 40 dias para inseri-lo. Quando ocorre um aborto, o DIU deve ser colocado após a curetagem.

Preciso de repouso ou cuidados após uso do DIU?

É comum a paciente ter um aumento nas cólicas após colocar o DIU, o que pode ser evitado com o uso de medicamentos prescritos pelo médico. Porém, não há a necessidade de repouso e a paciente pode continuar com suas atividades normais logo após colocar o dispositivo.

Preços: Quanto custa o DIU em média?

A maioria dos planos de saúde inclui a colocação do DIU. Além disso, ele também está disponível no SUS (Sistema Único de Saúde), mas pode ser difícil ser encontrado por conta da alta demanda.

O DIU pode ser adquirido em qualquer farmácia pelo preço que vai de R$ 100 a R$ 700. O preço do dispositivo de cobre é mais baixo do que o hormonal. Ele pode ser comprado pela paciente e levado para ser colocado pelo médico, que cobrará em média R$ 600.

Efeitos colaterais

O tempo para adaptação do organismo geralmente é em torno de 5 a 15 dias, embora haja casos onde o tempo pode ser de até 180 dias. Quando as instruções são seguidas corretamente, é raro acontecer algum tipo de complicação. Porém, alguns efeitos colaterais podem se manifestar, entre eles:

  • Contrações uterinas (principalmente em mulheres que não tiveram filhos)
  • Cólicas menstruais
  • Aumento no fluxo menstrual
  • Pequeno sangramento após colocar o dispositivo
  • Corrimento vaginal
  • Desmaio
  • Dor de cabeça
  • Retenção de líquidos
  • Pequeno ganho de peso
  • Tensão nas mamas
  • Ausência de menstruação
  • Menstruação em pouca quantidade
  • Aumento na oleosidade da pele (resultando em acne)

Esses efeitos colaterais se manifestam apenas em algumas mulheres e costumam durar apenas alguns dias depois de colocar o DIU.

Rejeição ao método

É preciso lembrar que o DIU é visto como um corpo estranho pelo organismo. Apesar disso, a taxa de rejeição é considerada baixa, atingindo apenas 7 a cada 100 mulheres. Também é possível que ele se desloque, o que não é comum. Mulheres com alergia a cobre não devem colocar o DIU que é revestido por esse metal. Nesse caso, o indicado é o uso do DIU hormonal.

DIU dói?

A maioria das mulheres não precisa de anestesia para colocar o DIU, pois não sentem nenhuma dor. Porém, há situações onde uma parte do útero precisa ser pinçada pelo médico para garantir que o dispositivo fique bem posicionado. Como esse processo pode ser dolorido, há médicos que escolhem usar anestesia.

Além disso, é provável que, após ele ser colocado, a mulher apresente uma sensação de desconforto, que pode vir acompanhada de cólica e um pequeno sangramento. Esses sintomas costumam desaparecer em pouco tempo, após permanecer em repouso.

Vantagens e Desvantagens

Assim como outros contraceptivos, ele também apresenta pontos positivos e negativos. Conheças as principais vantagens e desvantagens de optar por esse método:



Vantagens

  • O tempo de duração é de até 10 anos
  • Previne a gravidez em 99% quando usado de forma correta
  • É um método reversível, permitindo engravidar ao decidir retirar o dispositivo
  • Não há o risco de esquecer de usar pílula
  • Não interfere no sexo
  • Não prejudica a amamentação

Desvantagens

  • Pode provocar anemia, pois é possível ocasionar menstruações que duram mais tempo e com mais fluxo sanguíneo
  • Existe a probabilidade de o dispositivo se deslocar do lugar sozinho
  • Aumenta o risco de uma gravidez ectópica
  • Há um risco mínimo de infeccionar o útero

Sintomas do DIU inserido fora do lugar

diu fora do lugar
Foto: CheckPregnancy

Apesar de ser algo muito raro, existe a possibilidade de o DIU ser colocado fora do lugar adequado. Por esse motivo, é importante o monitoramento constante de um médico qualificado para verificar se ele se encontra na posição correta.

Os sintomas que indicam que ele está fora do lugar são:

  • Sensação de dor ou desconforto abdominal
  • Sangramentos fora do ciclo menstrual
  • Poder sentir o DIU na vagina ao introduzir o dedo na região

Outro fato raro, mas que pode acontecer, é o DIU sair sozinho fora do lugar, principalmente durante os 3 primeiros meses de uso. Isso acontece devido às contrações dos músculos do útero no período menstrual, o que pode fazer com que o dispositivo mude de posição ou até seja expulso.

Além disso, a má colocação do DIU pode fazer com que a mulher e o parceiro sintam o dispositivo durante a relação sexual. Nesse caso, o parceiro também pode sentir o fio de remoção do DIU, o que pode causar dor.

Se alguns desses sintomas aparecer, é preciso informar ao médico para que as devidas providências sejam tomadas.

Quanto tempo depois de colocar o DIU posso ter relação com segurança?

Se a paciente estiver bem após o DIU ser inserido, já pode ter relações sexuais com a proteção garantida contra gravidez (isso quando ele foi colocado durante a menstruação ou até sete dias do ciclo menstrual).

No entanto, se o dispositivo foi colocado após o sétimo dia do ciclo menstrual, é necessário fazer uso de outro método contraceptivo por, no mínimo, 7 dias.

Gravidez com DIU, é possível?

Apesar de muito raro, existe uma possibilidade mínima de engravidar usando DIU. Isso porque, assim como todos os métodos concepcionais, não é 100% seguro. No caso do DIU de cobre, as chances de gravidez são de 0,7%, enquanto que o DIU Mirena é de 0,2%.

Se o DIU usado for o de cobre, a gravidez é identificada mais facilmente, pois a menstruação atrasa. Em relação ao DIU Mirena, é possível descobrir a gestação apenas quando os sintomas aparecem, já que muitas mulheres acabam deixando de menstruar quando o dispositivo é colocado.

DIU é abortivo?

O DIU não é um método abortivo. Ele impede que aconteça a concepção, ou seja, não permite que o espermatozoide se encontre com o óvulo. Por conta disso, ele não deixa que ocorra a gestação.

Além disso, ele impede a fixação do embrião fecundado no endométrio. Isso significa que não permite que aconteça a nidação, o que é considerado como o início da gravidez do ponto de vista médico.

diu aborta?
Foto: Simple Mom Review

Para quem o DIU é indicado?

Ele ser colocado por mulheres em qualquer faixa etária e, ao contrário do que se acreditava, pode ser usado por mulheres que não tiveram filhos. Além disso, ele pode ser inserido inclusive após o parto.

A contraindicação é para gestantes, mulheres que apresentam um sangramento fora do normal, com malformação uterina, infecção pélvica ou suspeita de câncer genital.

Como é feita a remoção?

A remoção é feita no consultório médico, puxando o fio que está preso ao dispositivo. O médico poderá utilizar uma pinça no caso de o DIU ter se deslocado para dentro da cavidade uterina. Se for o caso de uma perfuração no músculo uterino, é preciso fazer a remoção por meio de um procedimento cirúrgico.

Em quanto tempo é possível engravidar após retirar o DIU?

Se a mulher deseja engravidar depois de remover o dispositivo, não é preciso aguardar, pois a fertilidade volta imediatamente e o casal já pode tentar engravidar. É bom ressaltar que, quando um método contraceptivo é suspenso, a chance de gestação fica em torno de 50%, aumentando para 8% após 6 meses.

Com as dúvidas esclarecidas a respeito, fica mais fácil decidir por usar esse método contraceptivo. O ginecologista deve ser consultado para explicar detalhadamente sobre esse dispositivo e sua eficácia.

Referências

revistaversar.com.br/index.php/2017/10/17/diu-doi-para-colocar-menstruacao-acaba-quanto-tempo-dura-tire-todas-as-suas-duvidas/

https://doencasesintomas.blogspot.com/2014/06/diu-dispositivo-intra-uterino-evitar.html

https://onsalus.com.br/posso-engravidar-usando-diu-resposta-aqui-586.html

saude.abril.com.br/medicina/tudo-sobre-o-diu/

http://www.minhavida.com.br/saude/tudo-sobre/32082-diu

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