Hiperêmese gravídica: o que é, causas, sintomas, riscos

Vômitos durante o início gestação é um dos sintomas mais comuns, mas a hiperêmese gravídica consiste em um quadro onde há vômitos e sensação de náusea em excesso, impedindo até mesmo que a gestante tenha uma rotina normal ou se alimente de forma correta.

Essa doença afeta apenas 1,5% das gestantes e pode acontecer apenas no primeiro semestre da gestação ou persistir até 20 semanas. Ela é causada devido às mudanças hormonais que acontecem no corpo da mulher durante a gestação.

Descubra neste post quais são os riscos e tratamento para essa complicação da gravidez, além de como fazer para poder identificá-la.

O que é hiperêmese gravídica?

A gravidez é uma fase de grandes mudanças hormonais que acontecem no corpo da mulher, o que muitas vezes resulta em enjoo e vômito no início gestação, que até então é um sintoma normal e que pode ser controlado por meio de uma alimentação equilibrada.

A hiperêmese gravídica (HG) é em um quadro que tem como característica a presença de náuseas e vômitos em excesso durante a gravidez.

No geral, ocorre no primeiro semestre da gestação (mais precisamente por volta da 5ª semana) e persiste até 20 semanas (ou seja, até a metade da gestação).

As náuseas e vômitos que são desencadeados pela hiperêmese gravídica são intensos e ocorrem diversas vezes ao longo do dia, sempre que a gestante come alguma coisa.

Dessa forma, esse quadro faz com que essa fase da vida da mulher, que deveria ser encantadora, se transforme em um incômodo constante, impedindo que ela faça algo mais além de vomitar e se sentir indisposta.

Diferente do enjoo matinal comum, a hiperêmese gravídica faz com que a gestante vomite com frequência, apresente desidratação e perda de peso. Além disso, o uso de métodos naturais para acabar com o enjoo não funciona, o que pode impedir que a mulher tenha uma rotina normal em casa ou no trabalho.

Esse quadro clínico não é considerado uma complicação muito comum na gestação, atingindo entre 0,5% a 2% das mulheres grávidas. Muitas vezes é necessário que a mulher seja hospitalizada, geralmente para tratar a desidratação decorrente da quantidade elevada de vômitos.

Quando é efeito o tratamento precoce, na maioria das vezes há uma melhora nos sintomas. Porém, há alguns casos raros onde os vômitos continuam até o final da gestação, o que pode ser uma situação muito incômoda para a mãe.

Causas

As causas para esse quadro ainda não são consideradas totalmente conclusivas pelos pesquisadores. Apesar disso, há algumas suspeitas sobre o que causa esse desconforto durante a gravidez em algumas mulheres.

causas da hiperêmese gravídica

Uma delas é que, assim como acontece em relação ao enjoo na gravidez, a hiperêmese gravídica tem como causa a presença do hormônio HCG no organismo da gestante. Esse hormônio (que é produzido na gravidez pela placenta) pode provocar os vômitos excessivos quando se encontram em altas concentrações.

Além disso, como na gravidez de gêmeos a placenta é maior, mais quantidade desse hormônio é produzido, aumentando as chances de a mãe sofrer com esse problema. Apesar disso, mesmo a mulher com níveis normais de HCG pode ter hiperêmese, enquanto outra com altos níveis não apresentam esse quadro.

Estudos apontam uma relação entre a hiperêmese gravídica com a depressão, ou quando a mulher apresenta algum tipo de distúrbio psíquico ou não deseja a gravidez. Outras causas ainda não totalmente esclarecidas que podem ter relação com o quadro são o fato de a gestante apresentar hipotireoidismo, deficiência de vitamina B ou diabetes.

Também é possível que exista uma relação genética, já que mulheres com mães que sofreram com esse quadro apresentam três vezes mais chances de apresentar os sintomas. Porém, ainda não há uma comprovação científica para essas suspeitas.

No caso de o enjoo ter início após 12 semanas de gestação ou então vir acompanhado de dores ou febre, é possível que a causa seja outra, como infecção urinária, úlcera, gastrite, apendicite, obstrução intestinal, hepatite, enxaqueca, diabetes prévia ou problemas relacionados à tireoide.

Sintomas da hiperêmese gravídica

O principal sintoma do quadro de hiperêmese gravídica é o vômito frequente, fazendo com que a grávida elimine tudo o que come ou bebe. Isso faz com que ela apresente um baixo ganho de peso ou então acabe emagrecendo.

O diagnóstico oficial é feito quando há uma perda de mais de 3kg em relação ao peso que a gestante apresentava antes de engravidar. Porém, mesmo não havendo emagrecimento, é necessário conversar com o médico sobre enjoos e vômitos quando eles são frequentes e insuportáveis.

hiperêmese gravídica morte

Confira a seguir quais são os sintomas da hiperêmese:

  • Vômito várias vezes ao dia;
  • Perda de mais de 5% do peso;
  • Sensação de mal-estar e fraqueza;
  • Boca seca e alteração do paladar;
  • Falta de apetite;
  • Desidratação;
  • Emagrecimento;
  • Estrese físico e emocional;
  • Aumento da densidade urinária;
  • Intolerância a odores;
  • Excesso de saliva;
  • Desmaios;
  • Alucinações.

Além desses sintomas, a gestante não consegue sentir melhora ao fazer o uso de medicamentos contra enjoo. Há também casos onde ela sequer consegue usar os medicamentos, já que os vômitos frequentes não permitem.

Hiperêmese gravídica pode levar a morte?

Mesmo com a mãe apresentando vômitos violentos e que provoquem dores em seu abdômen, o vômito em si não prejudica o bebê em seu ventre.

Porém, é preciso ter o acompanhamento médico de perto, já que existe a possibilidade de um agravamento, embora isso seja raro.

Se não é feito o tratamento adequado, há a possibilidade de que a gestante acabe por desenvolver insuficiência renal, icterícia, desnutrição, entre outros tipos de complicações.

No caso de agravamento muito sério do quadro, pode acontecer de o bebê nascer prematuro ou abaixo do peso ideal. Além disso, situações extremas podem resultar na morte do feto ou da mãe.

Se acontecer de o quadro se prolongar na gestação, é possível que o fígado da mãe seja gravemente danificado, o que resulta na icterícia. Isso acontece porque os vômitos frequentes acabam provocando a perda de uma grande quantidade de potássio do organismo.

hiperêmese gravídica sintoma

Como resultado, pode fazer com que a gestante apresente confusão mental. Por esses motivos apresentados, se a gestante notar que os vômitos não passam, o melhor é que busque por um médico obstetra para que ele faça uma análise clínica e um exame de sangue, permitindo que que seja avaliada a gravidade do quadro e iniciado o tratamento o quanto antes.

Riscos

O risco de a mulher grávida vir a sofrer com os sintomas da hiperêmese gravídica são os seguintes:

  • Gestação de mais de um bebê;
  • Primeira gestação;
  • Mulheres fumantes;
  • Ter sofrido com hiperêmese na gestação anterior;
  • Mãe ou irmã da grávida já tiveram esse quadro;
  • Peso acima da média no começo da gravidez;
  • Gravidez após os 35 anos;
  • Enjoo ou enxaqueca ao andar de carro ou avião;
  • Histórico de náusea ao fazer uso de anticoncepcionais à base de estrogênio.

Tratamento para hiperêmese gravídica

Como não existe uma forma de fazer a prevenção da hiperêmese gravídica, o que resta para a gestante é o tratamento. Quanto mais cedo ele é iniciado, maiores são as chances de evitar que ocorra um agravamento do quadro.

O médico pode pedir uma ultrassonografia para verificar se há mais de um bebê e se a placenta se encontra posicionada de forma correta.

Como a gestante pode não conseguir se alimentar sem vomitar, pode ser necessário que ela seja internada e receba o soro via veia. A medicação é feita por via venosa (já que se torna difícil ingerir comprimidos) sendo a mesma que é usada quando um paciente passa por uma quimioterapia.

Multivitamínicos também podem ser indicados, além de medicamentos para evitar as náuseas.

hiperêmese gravídica como tratar

Em geral, a internação é feita apenas por alguns dias. Entretanto, pode ser necessário que a gestante seja internada por diversas vezes durante a gestação quando apresenta o quadro de hiperêmese.

É preciso frisar que apenas o obstetra poderá receitar o medicamento mais indicado e que, durante a gravidez, nenhum remédio pode ser ingerido por conta própria ou por indicação feita em farmácias.

Quando a gestante é capaz de tolerar a ingestão de líquidos, torna-se possível dar início a uma alimentação em pequenas quantidades, aumentando a dieta conforme ela é tolerada. É bom lembrar que os alimentos condimentados e gordurosos devem ser evitados.

Em casos mais graves, onde a paciente perde peso de forma progressiva e continua a apresentar os sintomas após a realização do tratamento, é necessário que a gestante receba a alimentação por meio de um tubo.

Esse tubo é colocado no nariz, descendo da garganta até alcançar o intestino delgado. Essa medida é feita raramente e continua até quando for necessário.

No caso de, mesmo com o tratamento, haver uma perda de peso progressiva da grávida, taquicardia ou icterícia, pode ser recomendado a interrupção da gestação.

Como lidar com o problema

Além do acompanhamento médico, que é fundamental quando a mulher apresenta o quadro de hiperêmese, algumas medidas podem ser tomadas para ajudar a gestante a lidar e se recuperar desse quadro. Confira quais são elas a seguir:

  • Ao acordar, é recomendado que a gestante tente comer um biscoito de água e sal antes de se levantar.
  • Evitar a ingestão de alimentos fritos, condimentos, picantes e gordurosos.
  • Ingerir água e outros líquidos várias vezes ao dia em quantidades pequenas.
  • Consumir alimentos de fácil digestão, preferencialmente frios ou gelados, já que isso facilita a aceitação pelo estômago. Cubos de gelo e picolés podem ser uma boa ideia.
  • Fazer pequenas refeições, de forma fracionada, no decorrer do dia.
  • Evitar ficar longos períodos sem se alimentar entre as refeições.
  • Repousar, principalmente quando surgir a sensação de enjoo.
  • Consultar o médico sobre a possibilidade de tomar suplementos de vitamina B1 e B6.
  • Fazer exercícios físicos moderados.
  • Peça a ajuda do parceiro e familiares para realizarem tarefas do dia a dia.
  • Chá e balas de gengibre (em quantidade moderada) podem ajudam o alívio das náuseas. O mesmo acontece com sessões de acupuntura.
  • Não é indicado fazer o uso de medicamentos via oral quando os vômitos estiverem muito intensos. A razão para isso é porque o comprimido nem chega a fazer efeito no organismo nesse caso, já que é expulso do corpo assim que chega ao estômago. Por isso, o mais indicado é usar medicamentos injetáveis, sublinguais ou supositórios, sempre com a indicação médica.

A recuperação acontece de forma lenta e, como podem ocorrer recaídas, é importante que a gestante receba todo o apoio psicológico necessário. Por essa razão, muitas vezes é fundamental que ela receba o acompanhamento de um profissional dessa área, o que ajuda a lidar com a situação e reduzir a ansiedade.

hiperêmese gravídica risco

Há ainda grupos online e presenciais que podem ajudar a passar por esse momento delicado.

Também é essencial que a gestante entenda que não é culpada de forma alguma por esse quadro. Por isso, não é preciso se sentir culpada ou envergonhada, acreditando que não está cuidando direito da saúde ou que o bebê não está se sentindo bem em seu ventre.

Além de passar pelo desconforto, as gestantes que sofrem com essa complicação da gravidez ainda podem precisar aturar a desconfiança do parceiro e familiares, que acreditam que se trata de frescura ou simples falta de força de vontade.

Nesse caso, é importante conversar seriamente com as pessoas da sua convivência a respeito da hiperêmese gravídica, explicado a situação. 

Referências

minhavida.com.br/saude/temas/hiperemese-gravidica

delas.ig.com.br/saudedamulher/voce-sabe-o-que-e-hiperemese-gravidica/n1597015177285.html

greenme.com.br/viver/saude-e-bem-estar/6351-hiperemese-gravidica-causas-tratamento-sintomas

maemequer.pt/estou-gravida/saude-e-bem-estar/complicacoes-na-gravidez/hiperemese-das-gravidas/

infoescola.com/saude/hiperemese-gravidica/

msdmanuals.com/pt/profissional/ginecologia-e-obstetr%C3%ADcia/anormalidades-na-gesta%C3%A7%C3%A3o/hiper%C3%AAmese-grav%C3%ADdica

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