Gravidez com câncer de colo de útero

Tire todas as suas dúvidas sobre gravidez com câncer de colo de útero:

Câncer, um assunto delicado em um momento que deveria ser mágico e feliz na vida de uma mulher. A contradição entre vida e morte acarreta inúmeros conflitos emocionais, ou seja, na mesma pessoa convivem a ameaça da morte e o surgimento de uma nova vida.

Gravidez com complicações devido ao câncer é uma condição rara que ocorre em 1 para cada 1000-1500 gestações.

No meio médico esta condição é denominada como “câncer gestacional”. O termo compreende não só o câncer diagnosticado durante a gravidez, mas também aquele que ocorre durante o primeiro ano após o parto. As neoplasias malignas (tumores) mais comumente diagnosticadas neste caso são as ginecológicas (câncer de colo de útero, que é o mais comum, representando 50% de todos os cânceres), mama, hematológicos (leucemia, linfoma) e câncer de pele.

Mas será que grávidas com o câncer de colo de útero podem tratar a doença sem precisar interromper a gestação?

Gravidez com câncer de colo de útero – Tratamento

De acordo com informações do site oficial do Hospital A.C. Camargo, referência em diagnóstico, tratamento, ensino e pesquisa do câncer, caso a mulher descubra um tumor nesta região e já esteja esperando um filho, há formas de tratamento seguro sim. Porém, o câncer na gravidez é um desafio para os médicos e as decisões para o tratamento devem ser muito bem pensadas tendo em vista o maior benefício no desfecho oncológico para a futura mamãe e risco mínimo para o bebê.

Atualmente, quando diagnosticado, o tratamento oncológico para mulheres jovens e ou grávidas tem a possibilidade de não só manter a gravidez, mas também de preservar a fertilidade da mulher.

Segundo especialistas da área de oncologia, o tumor de colo do útero, dependendo de cada caso, estágio da doença e idade gestacional, pode ser tratado durante ou depois da gestação.

A radioterapia tem contraindicação absoluta, pois pode provocar aborto, malformação dos órgãos e prejudicar o desenvolvimento do cérebro e do coração do bebê. A radioterapia deve ser preferencialmente postergada para o período pós-parto.

O tratamento do câncer de colo de útero deve ser acompanhado por uma equipe multidisciplinar que inclua oncologistas, psicólogos, obstetras, neonatologistas e pediatras.

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Foto: Health Magazine

Câncer de colo de útero – Quimioterapia

As sessões de quimioterapia realizadas ainda no pré-natal não prejudicam o bebê, que nasce saudável. Essa segurança depende da dose, via e esquema de administração, bem como quantidade do quimioterápico que é transmitida para o feto pela placenta depende da estrutura de cada droga.

A idade gestacional é de grande seriedade tendo em vista que muitos quimioterápicos podem ser prejudiciais ao feto. A quimioterapia em gestantes tem de obedecer a regras próprias quanto ao início e ao fim do tratamento. Portanto, segundo os meios médicos, a primeira sessão de quimioterapia pode ser iniciada a partir do segundo trimestre de gravidez para tumores avançados.

O uso da quimioterapia no primeiro trimestre aumenta o número de abortamentos, e a incidência de malformações varia de 10% a 20% com monoquimioterapia (medicamento específico), podendo chegar até 25% com poliquimioterapia (combinação de medicamentos).

Na barriga da mãe, o bebê recebe proteção da placenta e de alguns órgãos, como fígado e rins, que possibilitam a depuração das drogas, inseridas no corpo durante a quimioterapia. Ainda assim, especialistas recomendam que a última sessão de quimioterapia tem de acontecer entre quatro a seis semanas antes do parto para que o organismo fetal seja desintoxicado de qualquer resíduo quimioterápico, evitando também o risco de infecções e de sangramento excessivo na mãe.

E nestes casos, de diagnóstico e tratamento de câncer de colo de útero durante a gestação, a via de parto indicada é a abdominal, ou seja, a cesariana.

Foto: Sehatok

Câncer de colo de útero na gravidez- Tratamento cirúrgico

Cirurgias, consideradas necessárias pela equipe médica que acompanha a grávida, podem ser realizadas de forma segura e efetiva por cirurgiões e anestesistas experientes em alterações fisiológicas da gravidez.

As cirurgias abdominais devem ser realizadas, de preferência, a partir do segundo trimestre de gestação, quando o tamanho do útero ainda permite intervenções na cavidade abdominal e o risco de aborto e prematuridade é baixo. O uso da maioria dos anestésicos, mesmo sendo considerado seguro para o feto, ainda há risco potencial de complicações intra-operatórias e pós-operatórias.