Gravidez Molar: o que é, causas, diagnóstico, níveis hcg e tratamentos

Nem sempre a gravidez se desenvolve como esperado, o que acaba prejudicando o sonho de tornar-se mãe. A mola hidatiforme (Gravidez Molar) é uma complicação que afeta 1 a cada 2000 gestações em países do ocidente, especialmente em países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil.

Essa gravidez não tem condições de prosseguir e, dependendo do caso, não há sequer a formação do embrião no ventre. Trata-se de uma condição benigna na maioria das vezes, mas que tem o potencial de tornar-se maligna e se espalhar por outros órgãos caso não seja tratada.

Conheça a seguir os tipos de mola hidatiforme, como fazer para identificá-la e como é feito o tratamento, entre outras importantes informações a respeito.

O que é gravidez molar?

A mola hidatiforme (conhecida também como gravidez molar ou ainda como gravidez em mola) é uma complicação da gravidez rara, que geralmente acontece no processo em que o óvulo é fertilizado pelo espermatozoide, sendo conhecida cientificamente como doença trofoblástica gestacional.

O desenvolvimento das células destinadas à formação da placenta ocorre de forma anormal, o que resulta em um emaranhado de sacos de líquidos, que se parecem com um cacho de uvas no útero.

Essa má-formação da placenta e do feto impossibilita que o bebê se desenvolva. Como não há como prosseguir com a gestação molar, ela infelizmente deve ser interrompida o mais breve possível.

Na maioria das vezes, esse conjunto de células anormais resulta em um tumor benigno, sendo que as possibilidades de vir a se espalhar e causar complicações, tornando-se maligno, são entre 1% a 3%.

Uma gravidez molar também pode ser ocasionada devido a um aborto espontâneo ou mesmo uma gravidez completa, devido a células que acabaram permanecendo no corpo da mulher. Porém, é raro haver o desenvolvimento de gravidez molar em um feto vivo.

Sintomas

A princípio, as mulheres com gravidez molar apresentam os sintomas de uma gestação normal, como o atraso menstrual e enjoo matinal. Porém, algum tempo depois começam a apresentar sintomas incomuns, em geral por volta da 6ªsemana de gravidez.

Isso acontece devido ao crescimento das molas hidatiformes, que é mais rápido do que o desenvolvimento do feto. Dessa forma, é possível notar que o abdômen se torna maior mais rapidamente do que ocorre numa gestação normal.

Outros sintomas que podem indicar essa condição são os seguintes:

  • Sangramento vaginal:em uma gravidez molar, o sangramento costuma ter um aspecto amarronzado ou vir acompanhado de coágulos. Isso acontece porque uma pequena parte do tecido que se deteriora pode passar pelo canal da vagina.
  • Náuseas e vômitos: apesar de comuns a qualquer gravidez, esses sintomas são mais severos e recorrentes no caso de gravidez molar.
  • Anemia: quando há a ocorrência de hemorragia, a mulher pode ter anemia, pois o corpo não consegue restaurar a quantidade de glóbulos vermelhos de forma satisfatória.
  • Cistos ovarianos: o hormônio HCG é produzido em maior quantidade na existência de um tumor, o que leva à formação de cistos contendo líquidos nos ovários.
  • Hipertireoidismo: esse sintoma se manifesta quando a mulher apresenta um nível de HCG elevado, o que resulta em taquicardia, leves tremores e sudorese.
  • Pré-eclâmpsia: apesar de também existir a possibilidade de ocorrer no caso de uma complicação em gravidez normal, esse sintoma costuma aparecer mais cedo em casos de mola hidatiforme, logo no começo da gestação.

Além dos sintomas citados, as gravidez molares podem provocar graves complicações, como infecção uterina, pressão arterial muito baixa (choque) e infecção no sangue generalizada. Também pode acontecer de outros sintomas se manifestarem caso ocorra uma proliferação para o restante do corpo da mulher.

Causas da Gravidez molar

Ainda não se sabe com exatidão o que causa a gravidez molar, mas pesquisadores identificaram que ela acontece por conta de um problema relacionado à informação genética entre o óvulo e espermatozoide ou quando há a fecundação por dois espermatozoides.

Embora essa situação possa ocorrer em qualquer gravidez, especialistas apontam alguns fatores de riscos que podem favorecer a gestação molar, como o fato de a mulher ter histórico de abortos espontâneos, estar acima de 40 anos ou já ter passado por um caso de mola hidatiforme.

causas da gravidez molar

Diagnóstico

Muitos casos de gestação molar são identificados por meio da descrição dos sintomas. Mas para que ela seja devidamente comprovada, é preciso que sejam realizados alguns exames com o médico especialista, que pode ser tanto um pediatra como obstetra.

Além da observação do crescimento anormal do abdômen, é feita uma avaliação da taxa de HCG no sangue que, no caso de gestação molar, encontra-se elevada. Esse exame também é usado para monitorar se há a progressão ou regressão da doença.

Também é possível diagnosticar a gravidez molar quando não há o batimento cardíaco e nem movimento do feto durante o exame pré-natal.

Para que o diagnóstico seja confirmado é necessária uma ultrassonografia pélvica, que revela ne há a ausência do saco gestacional e a existência de inúmeros cistos ovarianos.

Tipos

Há dois tipos de mola hidatiforme, a parcial e a completa. No caso da completa, não há a presença do feto, enquanto que na parcial existe a presença do embrião, que geralmente é inviável. Entenda a seguir a diferença entre elas:

Mola hidatiforme parcial

A mola hidatiforme acontece quando dois espermatozoides entram no óvulo ou quando os cromossomos são duplicados. Nesse caso, o óvulo fecundado contém os cromossomas da mãe, mas os do pai são duplicados, resultando em 69 cromossomos (ao invés de 46, como nas gestações normais).

É possível observar a existência de um feto nesse caso, porém ele apresenta diversas malformações, sendo geralmente inviável. A mulher que sofre com esse tipo de mola tem 5% de chance de desenvolver formas malignas.

Mola hidatiforme completa

Numa gravidez com mola hidatiforme completa, o óvulo contém apenas os cromossomos do pai, de forma duplicada. Como não há os cromossomos maternos, o embrião e a placenta não são formados, havendo apenas a formação de vários cistos. Foi observado que cerca de 20% das mulheres apresentam uma neoplasia trofoblástica posterior.

Cuidados de enfermagem para Gravidez Molar

De acordo com a avaliação clínica, os cuidados de enfermagem incluem o monitoramento para identificar se há a presença de sangramento ou perfuração do trato gastrointestinal, além de verificar qualquer tipo de secreção vaginal.

Os sinais vitais da paciente devem ser observados, bem como sinais de choque, o que deve ser comunicado imediatamente ao médico. O material que foi aspirado na curetagem deve ser enviado para exame em laboratório, com a finalidade de avaliar se há a presença de células malignas.

As pacientes que passaram pelo tratamento devem aguardar até um ano antes de engravidar novamente e realizar exames frequentes de urina para que possa ser certificado que não há a presença de tecido em outras regiões do corpo.

O recomendado é que seja feita a dosagem de HCG semanalmente, até que três dosagens negativas consecutivas sejam observadas. Quando essas três dosagens forem verificadas, o procedimento torna-se mensal por seis meses a um ano.

gravida

Foto: All4Women

Tratamento 

Após o diagnóstico da gravidez molar, o tratamento é feito através da curetagem, onde é realizada a remoção do tecido anormal do útero por meio de sucção e sob anestesia. Dependendo do caso, às vezes é necessário fazer uma segunda curetagem para que seja possível retirar resíduos do tecido.

Além da curetagem, também é possível fazer o tratamento com o uso de remédios que levam a um aborto, o que vai depender de cada caso e do estágio em que se encontra.

Após o procedimento, o nível de HCG no sangue volta ao normal em cerca de 10 semanas e não há a necessidade de nenhum tipo de tratamento adicional. Porém, é preciso que a paciente realize exames de sangue a cada seis meses, o que permite avaliar se o nível de HCG se encontra zerado, indicando assim que a mola hidatiforme foi removida por completo.

Quando é o caso de grandes molas, existe a possibilidade de acontecer uma hemorragia no momento da cirurgia. Além disso, é necessário ter uma equipe médica disponível caso exista a necessidade de realizar uma histerectomia (cirurgia de remoção do útero).

Como se prevenir

Infelizmente não há como prevenir a gravidez molar. Porém, é observado que os casos são mais comuns em mulheres com a idade por volta dos 40 anos. Como já foi citado, esses casos podem acontecer em qualquer gravidez e as mulheres que já passaram por essa situação podem perfeitamente ter uma futura gravidez normal.

Os médicos recomendam que as pacientes que passam por uma remoção de mola hidatiforme não engravidem por cerca de seis meses a um ano. Para isso, é indicado o uso de anticoncepcionais ou outros métodos contraceptivos. Porém, as chances de ter uma nova gravidez molar são muito baixas, cerca de 1%.

Implicações de uma gravidez molar

Após a curetagem, é possível ocorrer o desenvolvimento da mola hidatiforme invasiva. Isso significa que o tecido molar começa a crescer na camada do músculo do útero, apresentando como sintoma um sangramento ininterrupto. Além disso, o tecido pode migrar para outras partes do corpo pela corrente sanguínea, o que é mais comum em caso de mola hidatiforme completa.

O médico então solicita um exame de sangue para verificar qual é o nível de HCG no organismo da paciente. Caso o nível não tenha voltado ao normal, é preciso fazer uma radiografia para verificar se houve o desenvolvimento da massa em outras regiões do corpo, como abdômen, pulmões, cérebro e tórax.

Se a massa que se espalhou for de baixo risco, será preciso de uma quimioterapia, que é realizada à base de um ou mais medicamentos, como metotrexato ou dactinomicina, para remover as células anômalas.

Há casos raros onde as células anormais continuam no corpo depois que o tecido é removido, o que é chamado de doença trofoblástica gestacional persistente. É um caso mais comum também numa gravidez molar completa e deve ser tratado com a quimioterapia.

Mais raro ainda são os casos de coriocarcinoma, que consiste num tipo de câncer que é tratável e pode ser provocado por uma mola hidatiforme como também de uma gestação normal.

Além disso, ainda é preciso considerar o abalo emocional resultado de uma gravidez molar, já que a perda pode afetar a mulher, mesmo que não seja uma gravidez que geraria uma criança.

diagnostico gravidez molar

Mola hidatiforme invasiva

A mola hidatiforme invasiva é caracterizada com o desenvolvimento do tecido molar na camada de músculo do útero. Ela se desenvolve em cerca de 15% das mulheres que sofrem com esse problema, principalmente após a remoção de uma mola completa.

Pode provocar a ruptura de vasos sanguíneos e a perfuração do miométrio, causando uma hemorragia. Esse tecido ainda pode migrar para outros órgãos do corpo através da corrente sanguínea.

Barriga mole na gravidez é normal?

Em geral, a barriga se mantém mole até a 7ª semana de gravidez, não sendo considerado motivo para preocupação. A partir de então, também pode acontecer de a mãe ter a sensação de que o ventre amoleceu, o que acontece devido às mudanças de posição do bebê.

Porém, se houver algum evento que ocasionou a barriga mole, como uma queda ou impacto, pode significar algum problema, sendo imprescindível consultar um médico para avaliar se está tudo bem com o bebê.

Caso a mulher sinta que há algo de errado relacionado à consistência do ventre, o melhor a fazer é buscar informação com um especialista para esclarecer as dúvidas respeito.

No começo da gravidez a barriga fica dura ou mole?

É normal que a barriga fique mais amolecida no começo da gestação. A consistência da barriga muda de acordo com o crescimento do bebê no útero para proteger a criança em cada fase da sua formação. Quando está deitada, por exemplo, a barriga pode ficar mais relaxada.

Conforme a gestação vai avançando, é normal que a barriga tenha a tendência de ficar dura, permanecendo assim durante toda a gravidez. A posição da mãe também influencia na consistência do ventre.

Apesar de a gravidez molar geralmente ser uma condição com 100% de chance de cura, possibilitando novas gestações normais no futuro, é preciso que ela seja identificada e tratada o quanto antes para evitar qualquer complicação para a saúde da mulher.

Referências

https://gravidez.online/barriga-gravida-mole-dura/

minutosaudavel.com.br/mola-hidatiforme-gravidez-molar-o-que-e-tratamento-e-mais/

brasil.babycenter.com/a1500636/gravidez-molar#ixzz5HDIqAcIx

https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/problemas-de-sa%C3%BAde-feminina/c%C3%A2nceres-do-sistema-reprodutor-feminino/mola-hidatiforme

https://www.infoescola.com/doencas/mola-hidatiforme/

http://www.abc.med.br/p/saude-da-mulher/1268778/mola+hidatiforme+ou+gravidez+molar+como+ela+e.htm

https://brasilescola.uol.com.br/biologia/mola-hidatiforme.htm

trocandofraldas.com.br/gravidez-molar-ou-mola-hidatiforme-causas-e-tratamentos/

https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/doencas/gravidez-molar.htm

http://www.minhavida.com.br/saude/materias/30938-gravidez-molar-causas-tratamentos-e-complicacoes

https://www.tuasaude.com/gravidez-em-mola/

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