Cientistas criam útero artificial para bebês prematuros

Cientistas da Filadélfia criaram um útero artificial para dar seguimento ao desenvolvimento de cordeiros nascidos prematuramente. Os pesquisadores do Children’s Hospital of Philadelphia criaram, de forma improvisada, uma bolsa preenchida com líquido semelhante à placenta onde o cordeiro pode continuar a se desenvolver normalmente.

O útero artificial faz parte de um estudo dos cientistas do hospital, que planejam desenvolver a estrutura para os bebês prematuros. O tratamento poderá aumentar significantemente as probabilidades de sobrevivência dos recém nascidos. É importante lembrar que, só metade dos bebês que nascem com menos de 24 semanas sobrevivem.

Testes do útero artificial

Cientistas desenvolvem útero artificial para ajudar bebês prematuros

Imagem do protótipo do útero artificial feito pela equipe de cientistas do Children’s Hospital of Philadelphia. Foto: G1

Para validar a eficiência do projeto, a equipe de cientistas do hospital da Filadélfia realizaram oito partos prematuros de cordeiros que ainda não desenvolveram os órgãos completamente. Logo após o porto, os animais foram colocados no útero artificial. O saco preenchido com o líquido semelhante a placenta foi mantido em temperatura controlada e os cordeiros tiveram o cordão umbilical fixados a cateteres que forneciam a oxigenação do sangue e transferia os nutrientes e medicamentos necessários, bombeados pelo próprio coração do feto.

“Uma das principais vantagens do nosso sistema é evitar a insuficiência cardíaca, que vem do desequilíbrio dos fluxos sanguíneos criados com circuitos de bomba”, garantiu o coautor do projeto, Marcus Davey.

Os cordeiros testados comprovaram a total eficácia do útero artificial. Os animais mantiveram a respiração normal, desenvolveram suas funções neurológicas junto com os órgãos como os pulmões, estomago e cérebros. De acordo com os testes feitos pelos cientistas, as substâncias na corrente sanguínea dos fetos também estavam dentro dos padrões.

Útero artificial em humanos

A estrutura desenvolvida pretende ser utilizada nos casos de prematuridade em estado crítico, que são os fetos nascidos entre 23 a 26 semanas de gravidez. Geralmente, os bebês nascidos nesse período não desenvolveram o sistema respiratório completamente.

Em entrevista publicada na revista Nature Communications, o cirurgião fetal da Children’s Hospital of Philadelphia, Alan Flake, se mostrou bem animado para dar seguimento ao projeto em bebês prematuros. O médico faz questão de afirmar que a função do útero artificial não será de gerar o bebê, mas sim contribuir para a fase final de seu desenvolvimento em casos críticos como o parto prematuro. “É totalmente ficção científica imaginar que você pode pegar um embrião, superar o processo inicial de desenvolvimento e colocá-lo na nossa máquina sem que a mãe seja um elemento crítico”, disse Alan Flake.

Útero Artificial

Na foto, Alan Flake, pesquisador e cirurgião do Hospital Infantil da Filadélfia. Foto: G1

“O útero artificial é projetado para dar continuidade ao que ocorre naturalmente no útero”, completou o cirurgião fetal no Hospital Infantil da Filadélfia.

Apesar de bem recebida por outros cientistas, o desenvolvimento do útero artificial para humanos ainda irá demorar algum tempo para ser utilizado. Segundo o cientista Colin Duncan, Professor de Medicina e Ciência da Reprodução da Universidade de Edimburgo, “este é um conceito realmente atraente e este estudo é um passo muito importante. Ainda existem enormes desafios para refinar a técnica, para tornar os resultados mais consistentes e, para compará-los com as atuais estratégias de cuidados intensivos neonatais. Isso exige muitas pesquisas futuras”.

Mesmo que leve algum tempo para ser utilizado em humanos, os pesquisadores do Children’s Hospital of Philadelphia continuam desenvolvendo e aprimorando o sistema do útero artificial. O próximo passo é iniciar pequisas clinicas e criar um protótipo para bebês humanos. Será uma incubadora com tampa incorporada com líquido amniótico. A previsão é que o projeto comece daqui a dois anos.