Perdi meu bebê, como amenizar essa dor?

Perdi meu bebê, como amenizar essa dor? Ao descobrir uma gestação ninguém se prepara para uma possível perda, mas infelizmente pode acontecer.

Toda gravidez, planejada ou não, gera expectativas e projeções para o futuro. Por isso, quando uma gestação é interrompida, a dor é enorme e pode ser devastadora. Se você ou algum conhecido seu perdeu um bebê, saiba que a dor e a tristeza serão inevitáveis. Apesar de não ser possível e nem recomendado negar o sofrimento, existem maneiras de lidar com esse período de forma respeitosa e saudável, para que posteriormente seja amenizado.

Perdi meu bebê, como amenizar essa dor?

“É uma perda de todo um sonho, expectativa e idealização, além de todos os sentimentos que couberam nesse tempo de aguardo e de momentos íntimos que a mãe teve com esse bebê, seja alguém que perdeu um filho com poucos meses de gestação ou em uma gravidez mais avançada”, comenta a psicóloga clínica Pamela Magalhães.

Foto: Zenfulspirit

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Pamela também pontua que o sintoma mais comum nessa fase é a dor: “Na verdade, é possível fazer uma associação com o luto e todas as fases que cabem dentro dele. É um momento muito difícil e todas as etapas que cabem no luto têm que ser passadas”. As fases do luto geralmente são:

  • Negação: pode ser difícil entender o que aconteceu de fato. Um momento de descrença, choque e assimilação.
  • Culpa: quando os pais se questionam o que poderiam ter feito de errado ou para evitar o que aconteceu.
  • Raiva: um sentimento de injustiça, quando se pensa porque foi acontecer logo com você.
  • Tristeza: o momento em que se pode considerar uma depressão pontual. A sensação de que realmente aconteceu, o que pode gerar muita dor e diminuir a vontade de fazer suas atividades.
  • Inveja: período em que se enxerga muitos bebês, pois o olhar está voltado para isso. A sensação de que gostaria de estar no lugar daquela mãe.
  •  Aceitação: período em que realmente a mãe entende que não há mais o que fazer e que o melhor é recolher seus pedaços e se refazer, reestabelecendo a vida ou mesmo pensando em uma nova gestação.

Como lidar com a dor de perder um bebê?

A melhor maneira de lidar é aceitar que essas fases de tristeza e reconstrução serão necessárias e que todas as dores têm que ser vividas. “Não há como sofrer uma perda e um grande impacto como esse e não viver todas as etapas necessárias pra se fortalecer. É preciso viver essa dor e rever essa tristeza. Colocar pra fora, falar sobre, também é muito importante porque é uma maneira de ir compreendendo e elaborando essas emoções do momento”, explica Pâmela.

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Foto: Reps-id

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Algumas dicas de como lidar com esse momento

A psicóloga Pamela Magalhães citou algumas dicas para tentar amenizar a dor:

  1. Respeitar e viver a tristeza.
  2. Dividir com as pessoas em quem confia, seja familiares, amigos ou talvez uma ajuda especializada.
  3. Considerar que o bebê veio pra sua vida, criar as memórias, respeitar que ele existiu. Não negar, mas abençoar esse filho e transmitir paz pra ele e para si própria.
  4. Vá com calma. Aos poucos as coisas vão entrando nos eixos e voltando ao ritmo. Vá lentamente retomando as atividades e as coisas que gosta de fazer.
  5. Não se abandone. Cuide de si para não entrar em um ciclo destrutivo ainda pior. É preciso lidar com o luto, mas não se prejudicar de uma forma geral.
  6. Quanto mais os parceiros estiverem afinados, melhor será para lidar com a situação. Não evite falar sobre o assunto.
  7. Se respeite caso não sinta vontade de ir a eventos sociais, principalmente batizados e chás de bebê. Não se preocupe com o que os outros podem achar, é normal não sentir vontade, afinal você está passando por um luto.

Perdi meu bebê, como amenizar essa dor? Quando o luto se prolonga muito e a pessoa se mantém paralisada e somando perdas por muito tempo, talvez seja preciso procurar ajuda médica. “A ideia é lidar com a perda, se restabelecer aos poucos, mesmo que bem lentamente, mas com alguma evolução. Como um machucado que sangra, forma uma ferida e depois vai cicatrizando. Se ele não cicatriza, alguma coisa está acontecendo e precisa de atenção especial”, finaliza Pamela Magalhães.