Estresse na gravidez: nervosismo e aborrecimento são prejudiciais

“O estresse acontece quando qualquer demanda externa excede a capacidade adaptativa do organismo, gerando respostas comportamentais, emocionais, cognitivas e biológicas com inúmeros efeitos colaterais para a saúde mental e física do indivíduo”. Essa definição de Schetter CD, publicada na Revista Debates em Psiquiatria de maio/2013 define bem o estresse na gravidez e em outras situações.

O estresse libera hormônios que comprometem o funcionamento normal do corpo. Nesse sentido, a amamentação também pode sair prejudicada. Muitas vezes, junto com toda a magia de ser mãe, surgem momentos de tensão, preocupação, sensação de culpa e incapacidade, que podem se configurar em profundo estresse.

Além disso, depois que o bebê nasce, toda a rotina da mamãe e do papai se modifica. A mãe dorme menos, o pai também, os gastos aumentam e a mulher às vezes tem que dar conta do bebê e da casa ao mesmo tempo. E se houver outros filhos, então… Tudo isso junto pode ser uma verdadeira “bomba relógio” para algumas mamães.

Estresse na gravidez: nervosismo e aborrecimento são prejudiciais

estresse na amamentação

Foi comprovado, nervosismo e aborrecimento são prejudiciais a gravidez e a amamentação

Principais “gatilhos” de estresse da mulher nesse período:

-Período pós-parto;

-Dificuldades na amamentação;

-Cuidados iniciais;

-Volta ao trabalho;

-Afazeres domésticos;

-Dificuldades financeiras;

-Cansaço materno;

-Insônia do bebê;

-Adoecimento do bebê;

-Banho no bebê;

-Desmame;

-Aprendizagem do bebê;

-Existência de outras crianças;

-Intromissão de familiares.

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Foto: Únete

Mãe estressada pode secar o leite materno?                                                                      

O estresse na gravidez e o estado emocional da mamãe podem fazer com que produza menos leite ou mesmo que o reflexo de descida do leite seja inibido. Os hormônios do estresse são capazes de inibir a ação da prolactina (produção do leite) e da ocitocina (descida do leite). No entanto, essa “diminuição” momentânea causada pelo estresse é reversível, ou seja, a produção de leite é regularizada quando a mulher fica tranquila.

O estresse NÃO faz secar o leite materno, pois os principais hormônios liberados durante um período de estresse são o cortisol e a adrenalina, que não afetam ou interferem apenas na produção da prolactina e, portanto, não tem “o poder” de secar o leite.

Importante salientar: a produção de leite materno é estimulada pela correta “pega” no bico do seio da mãe e pela sugada no peito pelo bebê. Leite materno produzido não quer dizer que o leite “desça”. Para a descida do leite, o bebê precisa sugar o seio da mamãe.

Pesquisas médicas indicam que amamentar ajuda a reduzir a baixa estima, pensamentos negativos e o próprio estresse. Assim sendo, persistir na amamentação é um bom caminho para lidar com momentos estressantes.

Além disso, mamães estressadas têm mais dificuldade em acomodar direitinho a criança no peito. Com isso, o bebê poderá não pegar direito o bico, sugando com deficiência o leite e, consequentemente, se alimentando pouco.

Mas, quando for o caso da mãe perceber que o leite começou a diminuir devido ao estresse, é preciso primeiramente, é claro, tentar se acalmar e posteriormente tomar providências imediatas para aumentar a produção de leite, como ingerir mais líquidos, reservar momentos para repouso, alimentar-se saudavelmente

gravida estressada

Foto: TransformYourLife

O estresse pode passar para o bebê?

Os bebês sabem quando suas mães estão se sentindo estressadas, mesmo dentro do útero. Mike Samuels, M.D., autor do livro The Well Baby Book (O livro do bom bebê) citou uma pesquisa ligando o efeito do estresse sobre os fetos e constatou que eles reagem aos hormônios de estresse de sua mãe com o aumento do movimento intrauterino – que dura várias horas depois de apenas uma curta crise de estresse.

Essa percepção emocional continua a se desenvolver após o nascimento. Os bebês aprendem rapidamente a ligar certos tons de voz com expressões faciais e quando tons e expressões não correspondem, isso os confunde, fazendo com que se sintam agitados.

O bebê é o reflexo da mãe. Por isso, ela precisa estar calma para passar tranquilidade para a criança. Na maioria dos casos, o bebê percebe o estresse e chora e, como consequência, ele não mama.

Dicas de como evitar o estresse e ter uma gestação mais saudável

Reserve um tempo para si – Tirar um tempo para si mesma, cuidar da aparência e autoestima, sair com as amigas e praticar algum esporte podem fazer muito bem para a mente e o corpo.

Delegue – Evite acumular funções e centralizar nelas as responsabilidades. Aprenda a delegar e a dividir tarefas. Isso pode lhes tirar um peso incrível das costas!

Não se sinta culpada – Uma mãe sempre carrega o sentimento de culpa por trabalhar fora ou por deixar o trabalho para cuidar dos filhos, pelo filho estar doente ou por achar que não está sendo uma boa mãe. Entenda que não só você, como qualquer outra pessoa do mundo, comete erros e acertos. Na maternidade – e na vida -, buscar a perfeição incessantemente pode ser muito frustrante. Para os momentos estressantes, respire fundo algumas vezes. Acredite, isso ajuda aos ânimos voltarem ao seu equilíbrio e as soluções venham de forma racional.

Não se isole – Conserve suas amizades e com certa frequência, reserve na agenda um momento para isso. Evite a sensação de isolamento e solidão. É comum que com a correria do dia a dia, a mãe se afaste da vida social, da família e dos amigos.

Tenha um estilo de vida saudável – Alimentação balanceada e rica em fibras, muita água, atividade física moderada e regular, estabilidade emocional e distância de cigarro e drogas. Hábitos saudáveis contribuem para uma maternidade sem traumas.

Quer conhecer mais sobre a importância da amamentação na vida da mamãe e do bebê? Acesse nossa categoria especial sobre amamentação e confira várias outras dicas.