Parto Humanizado: no hospital, domiciliar, na água, riscos e como funciona

O parto humanizado ganhou destaque na mídia após algumas mamães famosas realizarem esse método. Abordaremos a seguir alguns pontos esclarecedores sobre o assunto.

Ele é frequentemente rotulado como um tipo de parto, tal como cesáreo, fórceps ou parto normal. Na realidade, quando falamos de parto humanizado, estamos nos referindo às formas de assistência prestadas no momento do parto.

Os profissionais envolvidos passam a acompanhar a fisiologia do parto e entender as exigências e necessidades de cada mulher, respeitando o momento e não apenas clinicando com intervenções tecnológicas.

Por essa razão subjetiva e atenciosa, não são poucas as mulheres que estão aderindo a esse tipo de parto.

Lei do parto humanizado 

A Lei Nº 15.759, de 25 de Março de 2015 se refere ao parto humanizado.

São 16 artigos decretados pela Assembleia Legislativa que exigem e asseguram a assistência humanizada no momento do parto.

O que significa parto humanizado?

É um parto sem muitas intervenções médicas ou quase nenhuma; onde a vontade da mãe é levada mais em consideração do que em um parto normal. A segurança do bebê e da mãe são sempre priorizadas. Seja o parto feito na sua cama, na água ou no hospital – não importa, no parto humanizado a ação será toda feita pela mulher, sem a colaboração de medicações ou estimulantes, o nascimento seguirá o processo fisiológico – natural, o médico somente interferirá caso venha ocorrer algum problema.

Leia também: Quanto tempo dura um parto normal? E uma cesárea?

Como funciona o parto humanizado 

Um parto humanizado é aquele em que há uma atenção maior dedicada a gestante no exato momento do parto.

Seja qual for o tipo de parto, o olhar atencioso dos profissionais está concentrado em manter a segurança da mãe e do bebê, além de que as intervenções médicas são as mínimas possíveis, somente se necessárias ou solicitadas pela mulher estando bem orientadas a cerca de todos os procedimentos.

Importância 

Ressaltamos a importância do parto humanizado devido à naturalidade que o mesmo traz para este momento.

Observando que deixamos de olhar o momento do parto como algo sublime e extraordinário – não que o deixe totalmente de ser – mas passamos a encará-lo como algo natural.

Dessa forma, a mãe tem a total participação e controle na tomada das decisões, sempre bem amparada e instruída.

Benefícios

Os benefícios de se fazer um parto humanizado incluem:

  • Diminuição dos altos níveis de estresse.
  • Processo de recuperação pós-parto mais ágil
  • A mulher escolhe a posição em que dará a luz
  • O trabalho do parto ocorre de forma espontânea
  • Sem o desconforto pós anestesias

Preparação

É de extrema importância um acompanhamento rigoroso do pré-natal para que todas as possibilidades sejam analisadas.

Se haverá ou não a necessidade de algum tipo de intervenção baseada na saúde tanto da mãe quanto da criança; procurar um bom profissional habilitado para o auxílio no parto; (o médico deve ser selecionado com muito cuidado, pois a mãe tem que se sentir à vontade com a sua presença); importante também a ingestão de alimentos saudáveis e menos processados possíveis; conhecer o trabalho de parto e, por último, e não menos importante, preparar-se psicologicamente.

Como se preparar para o parto humanizado?

A primeira medida será fazer um excelente pré-natal para constatar que tanto a saúde da mãe quanto a do bebê estão ótimas, para que assim, não seja preciso haver intervenções durante o parto. A segunda medida é procurar um profissional habilitado para ajudar com o parto humanizado.

Foto: Popsugar.com

Foto: Popsugar.com

Parto humanizado na água 

O parto humanizado é aquele realizado com a mãe imersa em água, numa banheira ou piscina. A temperatura da água deve ser mantida entre 36º e 38º C para manter o conforto materno durante o trabalho de parto. A gestante entra na banheira quando o trabalho de parto progride e a dor aumenta.

A maior vantagem desse método é o relaxamento muscular profundo e o alívio da dor que a água morna provoca, transformando-se em um analgésico natural.

Em casa 

O parto domiciliar é aquele em que a mãe decide que o melhor local para o nascimento do seu filho é em sua própria casa.

Importante saber que não é recomendado a todas gestantes, pois precisa ter muita segurança ao tomar a decisão e ter tido um criterioso pré-natal.

Ao contrário do procedimento padrão seguido por muitas maternidades, os bebês que nascem em casa não saem da barriga da mãe direto para os exames, cada avaliação é feita aos poucos, respeitando o tempo da mãe e da criança.

Os exames essenciais são feitos na hora: o apgar (que avalia a vitalidade do bebê), o capurro (que identifica a idade gestacional da criança), o teste do pezinho, a medição do peso e da estatura e a avaliação física geral.

Estando tudo bem, tudo é feito em casa, a mulher não precisa ir ao hospital. A única obrigação é levar o bebê ao pediatra entre as primeiras 24 ou 48 horas, para realizar exames que competem ao médico, como o teste do olhinho e do ouvidinho.

 No hospital 

Sim, é possível realizar o parto humanizado dentro do hospital.

Contudo, para isso faz-se necessária uma equipe especializada e que será a responsável por criar um ambiente acolhedor dentro do hospital, amenizando possíveis interferências da cultura hospitalar intervencionista no processo ativo da mulher no parto.

É a equipe especializada no parto humanizado hospitalar que será responsável por apoiar a mulher nas suas escolhas diante de possíveis intervenções desnecessárias potencialmente recomendadas pelos demais profissionais do hospital.

parto humanizado hospitalar pode ser realizado na água dentro da banheira, de cócoras, na banqueta, cama ou na posição que a mulher considerar mais adequada e em que ela se sentir mais confortável.

Quais as vantagens de um parto humanizado?

  • Não haverá o desconforto da recuperação de anestesia ou de outros medicamentos;
  • A recuperação pós-parto será bem mais rápida;
  • Pode haver menor nível de estresse –  o que é bom tanto para a mamãe quanto para o bebê;
  • Favorece o nascimento do bebê de forma mais tranquila;
  • A primeira amamentação poderá ocorrer ainda na sala de parto;
  • O trabalho do parto é espontâneo;
  • Pode ultrapassar as 40 semanas;
  • A mulher escolhe a melhor posição para dar a luz;
  • O alívio da dor pode ocorrer a partir de: banhos mornos, massagens, ou usando a analgesia – que retira a dor, mas não os movimentos;
  • O corte só é feito em último caso, do contrário é tudo natural, feito pela força da mulher em empurrar o bebê.

A mulher deve conhecer todas as suas opções, baseada no desenvolvimento do feto e na história do pré-natal para tomar essa decisão quanto ao parto, onde o médico deverá acompanhar, no entanto, intervindo o mínimo possível.

Se você teve um parto humanizado comente como foi essa experiência e conte sua história, adoraremos poder saber sobre esse lindo momento.

Riscos 

Segundo especialistas, há alguns riscos que estão sujeitos ao optar por um parto humanizado.

Em casos de emergência, o fato de estar em um ambiente não hospitalar pode dificultar alguns procedimentos e tomadas de decisão caso haja alguma complicação.

Por exemplo, demorar em interromper o parto normal e optar pela cesárea pode trazer sérias consequências para a mãe e para o bebê, ou ainda existe a chance de a mulher sofrer laceração no assoalho pélvico, que é o músculo que sustenta os órgãos da pélvis, causando incontinência de urina ou fezes, além de dor.

As chances são maiores no parto do primeiro filho.

Preço: Quanto custa um parto humanizado? 

No Brasil, os valores variam entre R$ 4 a R$ 10 mil.

Em Curitiba, o preço médio fica entre R$ 5.500 a R$ 6.500 reais. O pacote inclui as consultas domiciliares do pré-natal, o dia do parto com toda a assistência da equipe de enfermagem, consultas do pós-parto – que podem ser de duas a três – e o primeiro atendimento do pediatra.

Obviamente, o preço vai variar de cidade para cidade e também de hospital para hospital.

Parto humanizado pelo SUS 

O contato aquecido pele-a-pele com a mãe e o estimulo a amamentação na primeira hora de vida são recomendações que o Ministério da Saúde oficializou em portaria publicada para assegurar o direito ao parto humanizado em toda a rede pública de saúde.

As diretrizes fazem parte da organização da atenção integral e humanizada ao recém-nascido no Sistema Único de Saúde (SUS) e oficializam recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do próprio Ministério.

Conforme a portaria, os procedimentos de rotina adotados após o nascimento do bebê, como exame físico, pesagem e outras medidas antropométricas, profilaxia da oftalmia neonatal devem ser realizados somente após esses primeiros cuidados.

Músicas para ajudar no parto 

Já está comprovado cientificamente que as músicas possuem um efeito benéfico para os bebês, ainda durante a gestação, dentro da barriga de suas mães. Elas acalmam e trazem paz.

Porém, a utilização pode ir muito além, e ser indicada ainda para o momento do parto.

Durante o parto normal, é comum que as mulheres fiquem tensas e sintam muitas dores. A música ajuda a acalmar, diminuindo toda a tensão e trazendo relaxamento, fazendo deste momento único um momento ainda mais especial.

Parto humanizado de gêmeos 

É fato que a questão gemelar requer mais monitoramento.

No entanto, ela pode seguir de forma completamente normal se tudo estiver bem com a mãe e com os bebês, inclusive quando o assunto é a via de nascimento – parto normal ou cesárea.

Alguns critérios devem ser analisados na hora do parto normal de gêmeos. O primeiro deles é a posição dos fetos. Além da grande probabilidade de nascerem prematuros – característica da maioria das gestações gemelares – a assistência ao parto também requer alguns cuidados.

A equipe precisa monitorar muito bem a mãe e os bebês e ser capacitada para efetuar este tipo de atendimento porque após o nascimento do primeiro bebê, o segundo pode ter problemas no recebimento de sangue e, consequentemente, falta de oxigenação.

Os riscos também podem afetar a mãe já que, como o útero se distende mais, pode ter risco de hemorragia materna.

Parto feito com Doula

Doula, é a pessoa responsável por dar suporte físico e emocional à gestante em trabalho de parto.

Doula não é parteira, não é enfermeira, nem substitui a presença do pai. Não faz qualquer tipo de procedimento invasivo como exame de toque ou administração de medicamentos.

No trabalho de parto, a profissional ajuda a mulher a encontrar as posições mais favoráveis durante as contrações, faz massagens e compressas para aliviar a dor, ajuda o parceiro a se envolver e participar ativamente do parto e informa o casal sobre todos os procedimentos que estão sendo realizados.

O serviço desta assessora começa antes do dia do nascimento do bebê, com encontros para conhecer a gestante e informá-la sobre as etapas do trabalho de parto, preparação do períneo e elaboração do plano de parto.

E continua após a chegada do novo membro da família, tirando dúvidas sobre o início da amamentação e conversando sobre a experiência do parto.


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