Quem já teve Zika Vírus pode engravidar?

Tira-dúvidas: quem já teve Zika Vírus pode engravidar?  Há riscos? Saiba mais sobre essas e outras questões sobre essa doença que tem tirado o sono de muitas mulheres.

No meio médico, dentro das principais discussões sobre o vírus da Zika,  existem muitas incertezas e muitos estudos inconclusivos. Mesmo assim, alguns pontos são comuns e podem nortear os leitores.

Diagnosticada no Brasil em 2015, a Zika é causada por um vírus transmitido pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus – que transmitem ainda a chikungunya e a dengue.

A transmissão se dá pela picada do mosquito contaminado, pela saliva e pela relação sexual.

Foto: Saltoaldia

Foto: Saltoaldia

 Quem já teve Zika Vírus pode engravidar?

Mesmo que muitas pesquisas ainda estejam incompletas sobre todos os aspectos da doença, a maioria aponta a existência de uma relação entre a infecção por zika na gestação e malformações neurológicas, como a microcefalia. Porém, isso não determina que toda gestante que foi infectada pelo vírus da Zika terá um bebê com microcefalia ou outras malformações.

“Todo paciente infectado pode ter sintomas como sinais de conjuntivite, dores musculares e articulares e paralisia dos membros inferiores, o que é reversível na maior parte dos casos”, explica o ginecologista e obstetra doutor Péricles Bauab, diretor técnico do hospital Mogi Mater. “Já em relação à gestante, corre-se o risco da microcefalia, isto é, de o bebê nascer com a cabeça menor que o padrão.”

Leia maisDoenças mais perigosas para gestante

Este padrão também continua em discussão pelos órgãos competentes. A orientação do Ministério da Saúde era de que, ao nascer, o perímetro da cabeça do bebê considerado com microcefalia seria menor ou igual a 32 centímetros (para bebês não prematuros). Mas, recentemente, há uma nova medida adotada: 31,9 cm para meninos e 31,5 cm para meninas.

Foto: Infograficos.estadao

Foto: Infograficos.estadao

Sintomas invisíveis

De acordo com o doutor Bauab, das três doenças transmitidas pelo mosquito Aedes, a única que tem a febre mais baixa é a Zika. “Por conta disso, os sintomas podem passar despercebidos. E isto é um problema. Principalmente porque estamos lidando com uma patologia que está afetando os bebês”, ressalta.

Zica X Gravidez

De acordo com o especialista, “a mulher que já teve o Zika vírus, após a cura, poderá engravidar normalmente sem riscos”.

Como as divergências ainda são maiores que as soluções apontadas, o mais indicado é a prevenção e a orientação médica adequada para cada caso.

“Ainda não existe remédio para o vírus, então, o melhor a se fazer é se precaver em relação à proliferação do mosquito Aedes; eliminando água parada, fazendo uso de repelentes, evitando lugares endêmicos e tomando todos os cuidados necessários”, ressalta o obstetra.

Como eliminar possíveis criadouros:

  • Tampe caixas e recipientes com água;
  • Lave periodicamente, por dentro e por fora, os tanques utilizados para armazenar água;
  • Mantenha a caixa d’água sempre bem fechada e coloque tela no ladrão das caixas;
  • Remova folhas e galhos que possam impedir a água de correr pelas calhas;
  • Não deixe água acumulada nas lajes;
  • Encha os vasos e pratinhos de plantas com areia até a borda. Ou lave-os uma vez por semana;
  • Troque a água de plantas aquáticas uma vez por semana;
  • Coloque o lixo na lixeira e conserve-as sempre bem fechadas e longe do alcance de animais;
  • Armazene garrafas com a boca para baixo;
  • Não deixe tampinhas de garrafas no quintal, pois também acumulam água;
  • Livre-se dos pneus;
  • Piscinas devem estar sempre limpas com produtos apropriados;
  • Em jardins, coloque areia dentro de todos os cacos (tijolo, madeira, vidro) que possam acumular água;
  • Limpe sempre a bandeja do ar-condicionado para evitar acúmulo de água;
  • Lonas devem ser bem esticadas buscando não formar poças d’água.

Sobre o uso do repelente

“Existe uma afirmação de que o mosquito voa a menos de 50 centímetros de altura. Sendo assim, ele só picaria os membros inferiores. Como os pontos mais fortes da nossa defesa são os repelentes, eu aconselho a passá-lo em todo o corpo e não apenas nas partes expostas ou nos membros inferiores”, indica Bauab.